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Toda nudez será castigada: o caso Uniban

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Vídeo mostrando estudante sendo expulsa na Uniban é incluído na área Entretenimento dos Mais populares do YouTube

Muito é discutido sobre a violência contra a mulher , mas nem sempre as pessoas identificam as formas menos óbvias de violação. A mais sutil, e nem por isso menos dilacerante, é a violência psicológica, ato que causa danos à auto-estima ou à identidade de uma pessoa. É uma violência que se materializa em insultos, humilhação ou ridicularização, apenas para citar alguns exemplos que se enquadram no episódio da estudante de turismo da Uniban expulsa por seus colegas por usar um diminuto vestido.

 

Mais chocante que o fato em si é a perpetuação desse tipo da violência nos comentários feitos por homens e mulheres após a divulgação da notícia. Muitos corroboraram a opinião dos estudantes da Uniban e criticaram abertamente o comportamento da estudante hostilizada.

A seguir, apenas algumas amostras do que encontrei na rede:

Para a aluna de fisioterapia Renata Dangelo (da Uniban), 24, a estudante que saiu sob um coro de ofensas dos colegas poderia ter evitado a situação. “Não vi, mas muita gente disse que dava para ver até a calcinha dela quando estava subindo a escada. Aí não é questão de ser mulher ou de ser homem. Ela não precisava ter provocado as pessoas, vindo para a faculdade daquele jeito só para aparecer. Só de ver aquilo na internet eu fiquei com muita vergonha do que ela fez. Será que ela se esqueceu de que tem mãe?”, questionou. Sobre os colegas, foi mais econômica: “Eles não precisavam se expressar daquele jeito. Não se chama mulher nenhuma de prostituta”. (publicado no  UOL)

“Essa história tá pela metade, essa garota devia se achar a última coca cola do deserto, devia ter procurado briga com alguma garota de lá, não sei… Mas esse papinho de que foi hostilizada só por causa de um vestidinho curto não convence não… Eu também gosto de usar roupas curtas e todo mundo gosta de mim (pelo que eu saiba), não preciso ficar me auto afirmando toda hora”. (Comentário de “Monica” sobre post no blog do Nassif)

O que Renatas e Monicas não percebem é que, ao perpetuar esse tipo de preconceito, estão ameaçando seus próprios direitos e abrindo espaço para a violência contra elas mesmas. Talvez não usando uma roupa “indecente”, mas fazendo um escolha que, em uma perspectiva distorcida, pode ser considerada digna de humilhação generalizada. Afinal, quando a irracionalidade, o ódio e o preconceito prevalecem, qualquer decisão pode ser digna de rechaço da opinião pública. E é exatamente esse cenário sombrio que todos nós – homens e mulheres – precisamos evitar.

Não é possível analisar o episódio da Uniban isoladamente. É ingênuo imaginar que aquele comportamento acontece apenas nos intramuros daquela instituição de ensino. O caso, na verdade, fala muito mais de nós, como sociedade, e serve como alerta. Se conseguimos aprovar leis como a Maria da Penha, ainda temos um longo caminho para garantir que os direitos de todas e cada uma das mulheres seja garantido.

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outubro 31, 2009 Posted by | Outros alvos | , , , , , | 2 Comentários

Assédio sexual e os disparates da justiça

Quando você imagina ter lido a sentença judicial mais absurda já proferida no mundo, há sempre algum juiz superando a marca das decisões estapafúrdias. Desta vez, o feito foi de um magistrado russo responsável pelo caso de assédio sexual denunciado recentemente por uma executiva de 22 anos em São Petersburgo. A mulher, cujo nome não foi divulgado, declarou ter sido expulsa de seu local de trabalho por seu chefe de 47 anos após ter se recusado a manter relações íntimas com ele, segundo o Telegraph.

Se ganhasse o processo, ela seria a terceira mulher na Rússia a vencer na justiça um caso de assédio sexual.

Mas o juiz responsável decidiu encerrar o caso. Falta de provas? Nada disso. O magistrado alegou que o empregador acusado não agiu de forma criminosa, mas…galante. E, em sua sentença, ofereceu a todos nós, simples mortais, uma perspectiva evolucionista em relação ao abuso do poder nos escritórios. “Se não tivéssemos o assédio sexual, não teríamos crianças no mundo.”

O que é mais crítico nessa situação é que, com sentenças como essa, a justiça fecha os olhos para um problema crônico no país. Segundo uma pesquisa feita na Rússia e citada pelo Telegraph, 100% das entrevistadas disseram que foram alvo de assédio sexual por seus chefes. Do total, 32% acabou tendo relações sexuais com os empregadores e 7% disseram que foram vítimas de estupro.

É frustrante saber que a justiça pode virar as costas para esse tipo de violência contra a mulher. Mas a arma contra esses abusos deve ser a denúncia.

agosto 11, 2008 Posted by | Outros relatos | , , , , , , , , , , , | 3 Comentários