Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Sagas familiares pelas lentes de Wes Anderson

Seu Jorge cantando no filme A vida marinha Steve Zissou

O cineasta estadunidense Wes Anderson tem uma filmografia enxuta, mas já conseguiu marcar presença com seu jeito particular de contar sagas familiares misturando drama e comédia, moderno e retrô, local e universal. Em A vida marinha de Steve Zissou ou Viagem Darjeeling, as aventuras dos personagens pela distante India ou pelas profundezas oceânicas servem apenas de pano de fundo para o mote central das histórias: o conflito familiar.

Como na vida real, os vínculos familiares mostrados pelas lentes de Wes Anderson são, de fato, a linha que conduz a narrativa. Não importa onde você esteja (o quão longe esteja): no final das contas, os laços familiares se impõem no roteiro.

Quero crer que, como nas películas de Anderson, os conflitos sempre podem ser solucionados, ainda que de alguma forma insólita ou inesperada. O universo tem lá seu jeito particular de dar um equilíbrio homeostático em tudo. Acreditar na mão invisível e sábia do universo pode ser pesado demais para os mais céticos. Mas, convenhamos, essa ideia traz uma baita reconforto nas horas mais difíceis.

Wes Anderson – Filmografia
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maio 3, 2010 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

10 (de 100) motivos para ver Radiohead

Como descrever a sensação de perder o imperdível? Sim, porque, convenhamos, ver o show do Radiohead pela Multishow não é realmente ESTAR no show do Radiohead. Então, cá estou eu, fincada na sofá da sala, bem longe de onde eu deveria ESTAR.

Para você, que não gosta ou não conhece o Radiohead, cá estão 10 (de 100) motivos para não perder o show da banda ao vivo, pela TV ou via streaming.

1. A banda inglesa deu uma super baforada criativa e renovadora na cena contemporânea do rock.

2. Suas letras inusitadas tratam de temas atuais com crítica inteligente,  sin perder la ternura jamás.  Hail to the Thief (Saudações ao Ladrão, em português) é uma referência velada à eleição para presidente dos Estados Unidos em 2002, quando George W. Bush roubou para vencer as eleições.

3. Os meninos são os transguessores que faltavam no mundo da música. Depois de Hail to the Thief, o Radiohead deixou a gravadora EMI e lançou seu sétimo álbum, In Rainbows, em 2007, por meio de download digital. Os compradores podiam escolher o quanto queriam pagar pelas faixas. Para delícia do público e desespero da indústria fonográfica.

4. A banda tem recebido elogios rasgados de gente boa como Michael Stipe, vocalista do R.E.M. Palavras dele: “Radiohead é tão bom, eles me assustam.

5. Quem acha que Radiohead deprime só entende parte da história. Ouvir Radiohead não é apenas curtir música de primeira. É experimentar novas sensações, estar subitamente numa outra trilha. É ter lentes para ver o mundo com outros olhos até que o fim de cada faixa.

6. Os caras sabem usar (direito) a tecnologia a favor da boa música (confira, por exemplo, as intervenções sintéticas nas músicas e o clip de House of Cards)

7. A estética da banda pode não agradar os gregos. Mas, definitivamente, é algo perturbadoramente revigorante.

8. Os caras fazem uma bela mistura de eletrônico, jazz, pop e o que mais vier para criar algo completamente novo.

9. Thom Yorke, o vocalista e compositor da banda, tem um estilo único de compor e interpretar as próprias músicas. Odeia fama e o mundo das celebridades e tem chamado atenção como ativista fazendo campanha para causas como a do comércio justo, movimentos anti-guerra como Campanha para Desarmamento Nuclear, campanhas da Anistia Internacional e, mais recentemente, a campanha “The Big Ask” do Friends of the Earth. Em 1999, tocou no concerto do Free Tibet.

10. Se você não curtiu Radiohead indo para o trabalho, olhando pro céu, viajando para muito longe, tenha certeza: está perdendo uma das melhoras coisas que a cultura pop oferece no momento.

março 23, 2009 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Dias de “Glory box”

Há dias de “My baby just cares for me” com a Nina. Há dias que Ella insiste com “A fine romance”. E, claro, sempre haverão dias de Glory Box com Portishead. A música foi lançada em 1995 como single e fez parte de trilhas sonoras dos filmes Stealing Beauty (1996), When the Cat’s Away (1996), B. Monkey (1998), Tout pour plaire (2005) e Lord of War (2005).

O fato é que…

"I'm so tired of playing,
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play.
For I've been a tempteress too long"

fevereiro 21, 2009 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , | 1 Comentário

“Mezcla” argentina: Lisandro Aristimuño e Juana Molina

Ok. A passagem pela Zival, a “Modern Sounds” de Buenos Aires, pode ter reduzido minha conta bancária. Mas a visita só aumentou meu apetite pelas novas tendências do rock/pop (ou sabe lá Deus o que) argentino.

Com vocês, Lisando Aristimuño, uma mistura de Radiohead e Maná (sim, isso é possível!). Em seguida,  a endiabrada Juana Molina, uma “mezcla” de Björk,  Laurie Anderson e Julieta Venegas.

janeiro 19, 2009 Posted by | Na Argentina | , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Cafe de los Maestros: imperdivel (para tango-cardiacos)!!!

imperdivel!

Os mestres no Teatro Colon: imperdivel!

Se voce gosta de tango e ainda nao viu o documentário com roteiro do musico argentino Gustavo Santaollala, esta perdendo uma grande oportunidade de se deliciar com um belissimo filme sobre esse genero musical.

O documentario e, na verdade, o making of da gravacao do album homonimo. Nao espere explicacoes didaticas sobre a historia do tango, apresentacoes sensuais de dancarinos ou informacoes detalhadas sobre Astor Piazzolla. Cafe de los Maestros e mais do que isso.

O filme apresenta, de forma elegante e envolvente, o cotidiano de alguns dos melhores musicos de tango e membros das bandas e orquestras que conquistaram a fama nos anos 1940 e 1950, era dourada do tango.

Santaollala (vencedor de dois Oscars por suas músicas para os filmes O Segredo de Brokeback Mountain e Babel) convida o telespectador a participar de encontros com Salgan, Leopoldo Federico, Lágrima Ríos e seu violonista Aníbal Arias e José Luis Stazo, apenas para citar alguns nomes. Pelas maos dele, estamos diante das historias de homens e mulheres que ajudaram a criar o ritmo mais intenso do planeta.

“Se voce nao sente o seu coracao bater forte quando toca tango, dedique-se a outra coisa”, diz um deles. Um resumo perfeito e comovente do significado de sua arte.

E ‘e exatamente essa intensidade que sentimos ao assistir Cafe de los Maestros. Por isso, se voce nao sentir algo intenso ao escutar tango, francamente, dedique-se a outro programa.

PS.: Como vc pode ter percebido, o teclado da Audrey, the Mac, ainda nao foi devidamente configurado. Perdon!




janeiro 15, 2009 Posted by | Na Argentina | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Luluzinha Camp, Otto e outras histórias

Ontem,  rolou novo encontro Luluzinha Camp em São Paulo e Brasília.  Na capital federal, o batlocal foi novamente o Balaio Café. Mais uma vez, foi delicioso papear com as conectadésimas LuMonte, Srta Bia e Rebeca.

No meio da conversa, encontramos Otto na mesa ao lado. Estava beliscando algo enquanto definia com as meninas do Casa de Farinha os detalhes do show que fariam juntos na noite do mesmo dia.

Confira as imagens do encontro e a conversa rápida com o músico…

http://qik.com/ecaparelli#v=722946

http://qik.com/ecaparelli#v=722851

http://qik.com/ecaparelli#v=722845

dezembro 22, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , | 2 Comentários

E o show foi delicioso….

E o show do compositor e cantor Tiago Rocha realizado ontem aqui em Brasília foi delicioso.  A versão acústica do Humanufaturas, vencedor de três categorias do Caymmi 2007,  foi apresentada ontem no Feitiço Mineiro e contou com a percussão afinadíssima de George Lacerda.

Momentos do show gravados pelo N95 e transmitidos ao vivo via Qik estão em http://www.qik.com/ecaparelli

Outras Trilhas recomenda a música http://qik.com/video/673756

dezembro 11, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas, Outra economia, Uncategorized | , , , , , , , , , | 1 Comentário

Tiago Rocha, esse escultor de sons…

Conheci o compositor e cantor baiano Tiago Rocha há pouco menos de um ano, em uma festa de despedida na casa de uma amiga aqui em Brasília. Tiago, amigo da dona do encontro, tocava deliciosamente seu violão e, vez ou outra, atendia pedidos da pequena platéia que, diante dele, era envolvida pelas canções. E ele tocou de tudo e mais: composições próprias, Luiz Gonzaga, Cole Porter… Naquelas horas, o que realmente me encantava era a maneira que Tiago moldava o som, como se música fosse algo concreto, uma escultura de tempo.

Por isso, não pensei duas vezes antes de aceitar a idéia de promover sua primeira apresentação em Brasília.  E, como era de se esperar, o Feitiço Mineiro, uma das casas de MPB mais prestigiadas da capital, abraçou a idéia.

Assim, amanhã, no Feitiço, a partir das 22h, teremos a versão acústica do show de Tiago, o Humanufaturas, vencedor de três categorias do Troféu Caymmi 2007.

Tiago, esse escultor de sons…

Local: Feitiço Mineiro – CLN 306 Bl. B Loja 45 – Asa Norte – 3272-6899
Data: Amanhã, às 22h
Preço inteira: Couvert: R$ 10
De: 09/12/2008

dezembro 9, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Dança de encontros: sanfona, risos e chuva*

Ontem, fiz 35 anos. Decidi, como faço todos os anos, reunir meus amigos para celebrar a data. Este ano, o encontro foi no meu apê, na 407 norte, em Brasília. E, como sempre acontece, o que tornou o momento da passagem solar emblemático foi o que chamo de “dança de encontros”, ou seja, essas combinações extraordinárias que acontecem quando pessoas se conhecem ou re-conhecem em espaço e tempo definidos.

É fato: um encontro nunca é igual ao outro porque, quando nos encontramos – ainda que no mesmo lugar com a mesmíssima pessoa – já somos outros. E essa “dança” é ainda mais bela quando acontece diante de nós, entre pessoas que amamos ou que queremos amar. Até mesmo as ausências fazem parte desse compartilhamento de sentimentos e idéias. São pessoas que não estão ali, fisicamente representadas. Mas, se quisermos, acabam sendo cúmplices daquele ínfimo momento.

A trilha sonora e livre da “dança de encontros” deste ano foi do professor Sivuquinha, que fez sua sanfona respirar com tangos, chotes e chansons. E, como aconteceu há duas semanas na casa de Emerson Luis, a alegria dos risos e conversas envolvidas com a música fez chover no seco chão do cerrado. E fez chover um mundo dentro de mim.

Acordei com o nublado úmido de Brasília e com a voz de Mônica Salmaso, um dos lindos presentes solares recebidos na noite anterior. E não pensei duas vezes: decidi escrever este post, o primeiro confessional, do Outras Trilhas.

Porque há momentos em que o sentimento é tão infindo que é impossível não compartilhá-lo com os outros, soltá-lo pelo ciberespaço, minha segunda casa.

“- See?
– What shoud I see?
– This big and magic engine that is life?
– No, not really. But I think I can hear it.
– It’s a start…”

*Este post é para Estela Montenegro, cantora que há 35 anos me mostra que vida e música são fundamentos de tudo, até mesmo daquilo que desconhecemos.

setembro 18, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , , , , , | 4 Comentários

Minhas coisas favoritas

“My favourite things”, de Richard Rogers e Oscar Hammerstein, fez parte do musical The Sound of Music e é faixa título do álbum gravado pelo saxofonista John Coltrane em 1961.

O trabalho é considerado um dos mais significativos da história do jazz em razão da maneira inovadora e refrescante como Coltrane se expressa por meio do saxofone soprano, um tanto esquecido no mundo da música naquele momento.

Em “My favourite things”, a melodia é repetida várias vezes durante 14 minutos de duração e o estilo adotado por Coltrane torna a experiência musical quase um mantra. A melodia é a mesma. Mas será? É um som hipnótico que leva o ouvinte a rever, ao longo mesmo caminho (melodia), novas paisagens e personagens. Basta abrir os olhos (ouvidos) para o que vem pela frente.

“My favourite things” é, definitivamente, a trilha sonora dessa nova etapa de minha viagem pessoal. Bendito Coltrane!

setembro 17, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , | 1 Comentário