Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Toda nudez será castigada: o caso Uniban

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Vídeo mostrando estudante sendo expulsa na Uniban é incluído na área Entretenimento dos Mais populares do YouTube

Muito é discutido sobre a violência contra a mulher , mas nem sempre as pessoas identificam as formas menos óbvias de violação. A mais sutil, e nem por isso menos dilacerante, é a violência psicológica, ato que causa danos à auto-estima ou à identidade de uma pessoa. É uma violência que se materializa em insultos, humilhação ou ridicularização, apenas para citar alguns exemplos que se enquadram no episódio da estudante de turismo da Uniban expulsa por seus colegas por usar um diminuto vestido.

 

Mais chocante que o fato em si é a perpetuação desse tipo da violência nos comentários feitos por homens e mulheres após a divulgação da notícia. Muitos corroboraram a opinião dos estudantes da Uniban e criticaram abertamente o comportamento da estudante hostilizada.

A seguir, apenas algumas amostras do que encontrei na rede:

Para a aluna de fisioterapia Renata Dangelo (da Uniban), 24, a estudante que saiu sob um coro de ofensas dos colegas poderia ter evitado a situação. “Não vi, mas muita gente disse que dava para ver até a calcinha dela quando estava subindo a escada. Aí não é questão de ser mulher ou de ser homem. Ela não precisava ter provocado as pessoas, vindo para a faculdade daquele jeito só para aparecer. Só de ver aquilo na internet eu fiquei com muita vergonha do que ela fez. Será que ela se esqueceu de que tem mãe?”, questionou. Sobre os colegas, foi mais econômica: “Eles não precisavam se expressar daquele jeito. Não se chama mulher nenhuma de prostituta”. (publicado no  UOL)

“Essa história tá pela metade, essa garota devia se achar a última coca cola do deserto, devia ter procurado briga com alguma garota de lá, não sei… Mas esse papinho de que foi hostilizada só por causa de um vestidinho curto não convence não… Eu também gosto de usar roupas curtas e todo mundo gosta de mim (pelo que eu saiba), não preciso ficar me auto afirmando toda hora”. (Comentário de “Monica” sobre post no blog do Nassif)

O que Renatas e Monicas não percebem é que, ao perpetuar esse tipo de preconceito, estão ameaçando seus próprios direitos e abrindo espaço para a violência contra elas mesmas. Talvez não usando uma roupa “indecente”, mas fazendo um escolha que, em uma perspectiva distorcida, pode ser considerada digna de humilhação generalizada. Afinal, quando a irracionalidade, o ódio e o preconceito prevalecem, qualquer decisão pode ser digna de rechaço da opinião pública. E é exatamente esse cenário sombrio que todos nós – homens e mulheres – precisamos evitar.

Não é possível analisar o episódio da Uniban isoladamente. É ingênuo imaginar que aquele comportamento acontece apenas nos intramuros daquela instituição de ensino. O caso, na verdade, fala muito mais de nós, como sociedade, e serve como alerta. Se conseguimos aprovar leis como a Maria da Penha, ainda temos um longo caminho para garantir que os direitos de todas e cada uma das mulheres seja garantido.

outubro 31, 2009 Posted by | Outros alvos | , , , , , | 2 Comentários

Gripe Suína e a Internet

Já era esperado: terabytes de informação sobre gripe suína se alastram pela Internet. Um bom termômetro é a Wikipedia: esta semana, a página sobre o tema na enciclopédia colaborativa foi atualizada centenas de vezes como forma de atender as demandas crescentes dos internautas.

No Facebook, o número de grupos de discussão criados para tratar do tema “swine flu” (nome em inglês da doença) saltou de 100 para 500 em poucos dias. Os três maiores deles são formados por cerca de 10 mil membros, segundo interessante nota publicada no blog da Nielsen.

O mesmo blog informa que o tema “swine flu”  foi alvo de mais de  10.000 tweets por hora no início desta semana (aliás, agora mesmo, está no topo da lista dos  “Trend Topics”)

É claro que parte da balbúrdia tem ajudado a criar um clima alarmista e muitos internautas desinformados ajudam a replicar notícias falsas sobre a doença. No entanto, é bom lembrar que as discussões refletem uma preocupação fundamentada em torno do Influenza A.

Além disso, é possível dizer que, em muitos casos, a Internet tem sido aliada estratégica no combate à pandemia. Basta ler os blogs que divulgam  dicas (de fontes confiáveis) sobre como evitar o contágio. O Google, por sua vez, criou esta semana um sistema para rastrear a gripe suína no México, baseado na ferramenta de rastreamento de gripe lançada no ano passado, segundo a Reuters. O sistema já é usado pelos Centros de Controle e Prevenção de Epidemias dos EUA, para descobrir onde estão os pontos de foco da doença. Leia mais sobre a ferramenta.

maio 1, 2009 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , | Deixe um comentário

Como evitar a Gripe Suína (Influenza A)

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Dei um “google” para encontrar informações sobre a gripe suína e, apesar da repercursão global, encontrei alguns poucos sites em português de órgãos especializados com algo na linha “perguntas e respostas” .

O site do Ministério da Saúde, por exemplo,  apresenta uma área específica para o assunto, mas  a informação está escondida e pode confudir aqueles que ainda não sabem que a maneira correta de se referir à doença é usar o nome do vírus ( Influenza A), de acordo com decisão da OMS anunciada esta semana. Nesse caso, ainda que o nome gripe suína seja incorreto, seria prudente colocar de alguma forma essa informação no site.

O Ministério informa na página que “está sendo patrocinado um link no site de pesquisa Google. Ou seja, quem buscar informações sobre o tema terá como uma das primeiras opções de respostas a página do Ministério da Saúde”.  Mas, para encontrar o link entre os primeiros resultados, é necessário digitar a palavra “influenza”.

De qualquer forma, o conteúdo do site é bom e, acima de tudo, é de fonte confiável. Com certeza, vai ajudar você a tirar suas dúvidas sobre o tema. Publico aqui algumas das principais informações do MS:

Influenza A (H1N1): Perguntas e Respostas

1. Há casos de Influenza A (H1N1) no Brasil?
Não. Até o momento, não há evidências da circulação do vírus da influenza A (H1N1) em humanos no Brasil.

3. Houve alguma medida com relação aos voos internacionais?
Sim. Dentro da aeronave em voo: Todas as providências estão sendo adotadas para que as tripulações das aeronaves orientem os passageiros, ainda durante o voo, sobre sinais e sintomas da influenza A (H1N1). Adicionalmente, a tripulação solicitará que passageiros com esses sintomas se identifiquem à tripulação. Esses passageiros identificados serão encaminhados para os postos da Anvisa ainda no aeroporto.

Ao desembarcar, todos os viajantes procedentes das áreas afetadas, recebem folder educativo com informações, em português, inglês e espanhol, sobre os sinais e sintomas, medidas de proteção e higiene e orientações para procurar assistência médica. Complementarmente, a Infraero veicula, nesses aeroportos, informe sonoro.

Todos os passageiros vindos de países com ocorrência de casos de influenza A (H1N1) tem sua Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA), documento obrigatório preenchido em viagens internacionais, retidas pela ANVISA, desde 24 de abril. A DBA atua como fonte de informações para eventual busca de contatos se for detectado caso suspeito na mesma aeronave.

Se o passageiro procedente de áreas afetadas sentir os sintomas em casa ele deve procurar a unidade de saúde mais próxima e informar o seu roteiro de viagem ao profissional de saúde.

Além disso, foram adotadas as seguintes medidas:
• Folders trilíngues (português, inglês e espanhol) estão sendo distribuídos para os aeroportos do país, com informações sobre a gripe;

• A Infraero está veiculando nos aeroportos avisos sonoros sobre os sintomas da doença e os procedimentos a serem adotados pelos passageiros que chegam e se destinam às áreas afetadas;

• A partir de 29 de abril, os principais aeroportos do país passam a reproduzir informações sobre a gripe A (H1N1) em seu sistema de televisão;

• O Ministério da Saúde está contratando os pontos de mídia indoor nos aeroportos disponíveis para a replicação de informações aos viajantes;

4. Como é transmitida a influenza A (H1N1) humana?
Este novo subtipo do vírus da influenza A(H1N1) é transmitido de pessoa a
pessoa principalmente por meio da tosse ou espirro e secreções respiratórias de pessoas infectadas. Os sintomas podem iniciar no período de 3 a 7 dias após contato com esse novo subtipo do virus e a transmissão ocorre principalmente em locais fechados.

5. Há uma vacina que possa proteger a população humana contra essa doença?
Não. Não existe vacina contra esse novo subtipo de vírus de influenza A (H1N1).

6. Há tratamento para Influenza A (H1N1) no Brasil?
Sim. Há um medicamento antiviral indicado pela OMS e disponível no Ministério da Saúde que será usado se necessário. O Ministério da Saúde recomenda não ser indicado tomar qualquer medicamento sem orientação médica.

7. O Brasil tem estoque de medicamento para tratamento de pacientes?
Sim. O Ministério da Saúde conta com estoque estratégico suficiente para tratamento de casos de influenza A (H1N1).

8. É seguro comer carne de porco e produtos derivados?
Sim. A Organização Mundial de Saúde Animal e o Ministério da Agricultura não relataram casos de transmissão da influenza A (H1N1) para pessoas por meio da ingestão de carne de porco.

9. Quais os sintomas que definem um caso suspeito de influenza A (H1N1)?
• Apresentar febre alta de maneira repentina (maior que 38ºC) e tosse podendo estar acompanhadas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória; E
• Ter apresentado sintomas até 10 dias após sair de área afetada pela influenza
A (H1N1); ou
• Ter tido contato próximo nos últimos dez dias com pessoa classificada como caso suspeito de infecção humana pelo novo subtipo de influenza A (H1N1).

Observação: São áreas afetadas os locais com casos confirmados e divulgados pela OMS ou governos dos países afetados. Contato próximo: indivíduo que cuida, convive ou teve contato direto com secreções respiratórias ou fluidos corporais de um caso confirmado.

11. O que o viajante de voos internacionais deve fazer se apresentar os sintomas?
Dentro do voo: se apresentar algum sintoma durante o voo, deve comunicar à tripulação para que o comandante da aeronave informe as autoridades de saúde em solo. Nesses casos, o passageiro com sintoma será recebido, no aeroporto de desembarque, por funcionários da ANVISA e será encaminhado para Hospitais de Referência do respectivo estado, indicados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Após chegar ao Brasil: se o passageiro apresentar algum sintoma depois de chegar ao país, quando estiver em casa, não devem tomar medicamentos por conta própria e devem procurar a unidade de saúde mais próxima e informar o roteiro de viagem ao profissional de saúde.

12. Quais recomendações do Ministério da Saúde para os viajantes internacionais?

a) Aos viajantes que se destinam às áreas afetadas:

• Usar máscaras cirúrgicas descartáveis, durante toda a permanência nas áreas
afetadas. Substituir sempre que necessário.
• Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente
descartável.
• Evitar locais com aglomeração de pessoas.
• Evitar o contato direto com pessoas doentes.
• Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
• Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
• Lavar as mãos freqüentemente com sabão e água, especialmente depois de tossir
ou espirrar.
• Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato
com doentes e roteiro de viagens recentes a esses países.
• Não usar medicamentos sem orientação médica.

Atenção! Todos os viajantes devem ficar atentos também às medidas preventivas
recomendadas pelas autoridades nacionais das áreas afetadas.

b) Aos viajantes que estão voltando de áreas afetadas:

Viajantes procedentes das áreas afetadas pela influenza A (H1N1) que apresentarem, até 10 dias após sair dessas áreas, febre alta de maneira repentina (> 38ºC) e tosse podendo estar acompanhadas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória, devem:
• Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
• Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.

14. Qual o agente causador da influenza humana?
São conhecidos 3 tipos de vírus da influenza: A, B e C. Esses vírus são altamente transmissíveis e podem sofrer mutações (transformações em sua estrutura genética).

15. Como o vírus da influenza se manifesta na natureza?
Os vírus existem naturalmente em diversas espécies animais, como aves (especialmente as aquáticas, como os patos), mamíferos e herbívoros. Em geral, os vírus são específicos de cada espécie animal e só raramente se observa transmissão cruzada entre espécies diferentes, como da ave para o homem, por exemplo. No entanto, o porco pode se infectar tanto com vírus humanos como com vírus de aves.

16. O que a população pode fazer para evitar a influenza?
Alguns dos exemplos de cuidados para a prevenção e controle de doenças de transmissão respiratória são:
– higiene das mãos com água e sabão (depois de tossir ou espirrar; depois de usar o banheiro, antes de comer, antes de tocar os olhos, boca e nariz);
– evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies;
– usar lenço de papel descartável;
– proteger com lenços a boca e nariz ao tossir ou espirrar, para evitar disseminação de aerossóis;
– orientar para que o doente evite sair de casa enquanto estiver em período de transmissão da doença (até 5 cinco dias após o início dos sintomas);
– evitar aglomerações e ambientes fechados (deve-se manter os ambientes ventilados);
– é importante que o ambiente doméstico seja arejado e receba a luz solar, pois estas medidas ajudam a eliminar os possíveis agentes das infecções respiratórias;
– restrição do ambiente de trabalho para evitar disseminação;
– hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, ingestão de líquidos e atividade física.

17. Quais foram as ações de comunicação adotadas pelo Ministério da Saúde?

A gripe por influenza A (H1N1) no Brasil está sendo monitorada pelo Gabinete Permanente de Emergências do Ministério da Saúde e a situação da doença é acompanhada 24 horas por dia pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). A partir deste trabalho, diariamente está sendo disponibilizada uma nota oficial sobre a situação da doença no país.

Além dessas iniciativas, o Ministério da Saúde desenvolveu as seguintes ações:
• A população tem acesso pelo Disque Saúde (0800 61 1997) a esclarecimentos sobre a gripe por influenza A (H1N1). Os profissionais da central telefônica receberam treinamento específico sobre o tema;

Mais informações:
WWW.saude.gov.br
No site da Organização Mundial da Saúde (em inglês) – http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/index.html
No site da Organização Pan-americana de Saúde (em espanhol)
http://new.paho.org/hq/index.php?lang=es

maio 1, 2009 Posted by | Outros alvos | , , , , , , | 2 Comentários

George W. Bush: sapatadas nos direitos humanos

Muitos comentaristas da mídia árabe defenderam o ato do jornalista iraquiano Muntadar al-Zaidi de atirar sapatos em George-W-Foi-Tarde_Bush.

Sou contra todo e qualquer tipo de violência. Inclusive aquela que inclui sapatos, chuteiras ou chineladas. Mas, convenhamos, como ato simbólico, a atitude de Muntadar não poderia ser mais certeira.

É o que dizem os colegas árabes dele.  “Para eles, o jornalista iraquiano mandou uma forte mensagem, não somente cultural e expressão de desabafo e oposição à invasão e ocupação americana do Iraque, mas também um final humilhante para um presidente extremamente impopular de políticas beligerantes para o Oriente Médio”, segundo nota da BBC.

O fato agora é que as sapatadas de Muntadar al-Zaidi são brincadeira de criança se comparadas ao tratamento que ele tem recebido na prisão. Ainda segundo a BBC, que cita como fonte o irmão do jornalista,  Muntadar teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento que teria sofrido. Também estaria sofrendo uma hemorragia interna.

O que se esperaria no fim de um governo que sapateou em cima dos direitos humanos, principalmente no Iraque?

dezembro 17, 2008 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Blogs do mundo contra a exploração sexual de crianças

Ainda sobre o III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Infelizmente (e como era de se imaginar), a cobertura do evento pela mídia tradicional foi tímida, excetuando alguns casos. Em parte, porque o tema não vende jornal. Outra explicação pode estar na falta de estatísticas recentes.

O jornalista busca notícia quente e fácil de ser digerida. Triste conclusão. A mídia tem um papel fundamental no combate à exploração de meninas e meninos. Ela pode denunciar casos, ajudar a manter o tema vivo na agenda dos governos, exigir novas medidas de enfrentamento…

Daí a importäncia da mídia alternativa na divulgação do tema. Blogue contra essa violëncia! Vocë pode, por exemplo, ajudar a divulgar o “Plano de Ação do Rio de Janeiro”  que estará na página no congresso http://www.iiicongressomundial.net/ . Nesse site, vocë já encontra uma versão preliminar do documento.

Vocë pode ainda ajudar a divulgar e assinar o abaixo-assinado da campanha ” Rompa o Silëncio!” , que exige medidas enérgicas de combate a esse tipo de violëncia. Visite agora www.euapoiounicef.com.br

novembro 28, 2008 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

As últimas do Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças

 

Durante trës dias, mais de trës mil pessoas (entre elas representantes de governos de 130 países e 300 adolescentes) participaram do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que termina hoje no Rio de Janeiro.

Foram dias de debates intensos aqui no Riocentro, onde está sendo realizado o evento.

Até a publicação deste post, a Declaração e Plano de Ação do Rio de Janeiro para Prevenir e Eliminar a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” ainda estava em construção. Mas a última versão do texto   já dá uma idéia do que será a versão final.

O documento estabelece algumas diretrizes para o enfrentamento do problema. Traz avanços importantes em relação aos documentos anteriores e aponta novas estratégias diante dos novos cenários, como a pornografia infantil na internet, o tráfico de meninas e meninos, a intensificação das migrações no mundo.

O governo brasileiro lançou, por exemplo, durante o congresso, um serviço hotline para o rastreamento desses crimes na internet, que também estão mais fáceis de ser responsabilizados e punidos com a lei sancionada pelo presidente Lula no dia da abertura do encontro.

Como foi mencionado em um post anterior, a Internet não deve ser vista com vilã, mas como aliada nessa luta. Veja o caso do abaixo-assinado eletrônico contra a exploração sexual da campanha Rompa o Silëncio!, do UNICEF.

Durante os 33 primeiros dias da iniciativa, 205 pessoas assinaram por dia, em média, o documento pela Internet. Os signatários exigiram medidas enérgicas contra esse tipo de violëncia e se comprometeram a denunciar casos. Nessa iniciativa, a Internet permitiu que a agëncia da ONU pudesse mobilizar e conscientizar brasileiros de várias partes do país de forma mais rápida e prática.

A entrega do documento com as quase 7 mil assinaturas foi realizada ontem (27) aqui no congresso. O ato simbólico aconteceu no Espaço Adolescente e Jovem. Dois adolescentes entregaram um pergaminho com as assinaturas para o diretor regional do UNICEF para América Latina e Caribe, Nils Kastberg. Depois, o documento foi apresentando para a presidente do CONANDA, Maria Luiza Oliveira. O órgão é constituído por representantes de governos e da sociedade civil e tem a função de deliberar e fiscalizar políticas de promoção, proteção dos direitos de crianças e adolescentes.

Espera-se agora que novas ações – integradas e mais eficientes – sejam colocadas em prática para eliminar de uma vez essa prática cruel e criminosa.

novembro 28, 2008 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , | Deixe um comentário

Mataram Irmã Dorothy: entre o trágico e o nonsense

Em fevereiro de 2005,  o assassinato da missionária estadounidense Dorothy Stang, de 73 anos, provocou comoção dentro e fora do Brasil. Dorothy defendia um projeto de desenvolvimento sustentável no interior do Pará e liderava comunidades naquela região contra o avanço dos grandes latinfudários.

Ao mostrar os detalhes do caso, o documentário “Mataram Irmã Dorothy” (Daniel Junge, EUA, 2008) comprova, mais uma vez, como a Justiça brasileira pode ser inepta e condescendente com os crimes envolvendo disputa de terras.

O filme foi exibido este mês no Festival Internacional de Cinema de Brasília (X FIC Brasília), que terminou no domingo passado. Este ano, já conquistou o Prêmio do Público e Grande Prêmio do Júri do Festival South by Southwest 2008.

“Mataram Irmã Dorothy” apresenta as situações absurdas ocorridas antes e depois da morte da missionária. Com tantos descalabros e injustiças, temos a impressão de que estamos diante de uma narrativa nonsense. Preste atenção, por exemplo, nas cenas que mostram as manobras jurídicas dos advogados dos acusados e a forma como testemunhas foram obrigadas a ficar em silêncio.

Hoje, a situação da terra e do projeto que a missionária defendia ainda gera preocupação. É o que explicou a irmã Rebeca Spires, que continua lutando para manter a iniciativa no Pará. Ela participou de um debate após a exibição do documentário no último dia 8 no Cine Academia, em Brasília.

Neste vídeo, filmado pelo Outras Trilhas após a sessão, ela fala da luta da comunidade para manter o lote 55, alvo da disputa que provocou a morte da ativista Dorothy Stang.

novembro 17, 2008 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

A Internet no combate à exploração sexual de crianças

Mesmo sem uma divulgação massiva pelos veículos tradicionais, a campanha online Rompa o Silêncio!, lançada pelo UNICEF na semana passada, está mobilizando rapidamente centenas de pessoas por meio de e-mails.

A campanha convida o internauta a participar de um abaixo-assinado para contribuir com a luta contra esse tipo de violação. O signatário se compromete a apoiar medidas enérgicas contra essa prática e a denunciar novos casos. As assinaturas farão parte de um documento que será entregue às autoridades presentes no III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O evento será realizado entre os próximos dias 25 e 28 de novembro no Rio de Janeiro.

Tem lógica o rápido número de adesões. Primeiro porque o tema da exploração sexual de crianças tem, por si só, uma força mobilizadora. Principalmente se ação tem a credibilidade de uma organização como o UNICEF. Segundo porque a estratégia viral (adotada de forma coordenada com bons parceiros) tem uma capacidade ilimitada de envolver as pessoas de forma mais ágil e eficiente.

Pode-se dizer que o cenário atual dessa luta é preocupante. Apesar dos esforços de governos e ONGs, o número de casos de exploração tem crescido nos últimos anos, segundo estudos recentes.

Estamos diante de um tipo de violação perversa, baseada na desigualdade das relações de poder entre homens e mulheres, ricos e pobres, brancos e negros…

Ainda que esse fenômeno não esteja ligado diretamente à pobreza e à miséria, grande parte dos casos tem origem na desigualdade socioeconômica. A maior incidência deles ocorre entre mulheres e meninas afrodescendentes de famílias de baixa renda, que moram em cidade do interior ou em periferias de grandes metrópoles.

Hoje, a exploração sexual de crianças é um desafio global relacionado, entre outros fatores, ao fortalecimento da redes internacionais de tráfico de armas, de drogas e de seres humanos.

Nesse contexto, a Internet aparece como o espelho de uma situação de raízes mais profundas. A rede é um canal cada vez mais usado por aqueles que alimentam o ciclo das violações. Ela, portanto, torna mais visível os movimentos criminosos e clandestinos.

A campanha Rompa o Silêncio! mostra, mais uma vez, que a Internet pode ser uma forte aliada no processo de conscientização e mobilização das pessoas interessadas em colocar um  fim nessas histórias de violência.

Rompa o Silêncio. Participe do abaixo-assinado. e siga a campanha no twitter http://www.twitter.com/rompaosilencio

Clique aqui para obter mais informações sobre ações de combate à exploração sexual de crianças.

novembro 4, 2008 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Mais sobre o caso Raposa/Serra do Sol

Como já informei a todos nesta semana, vou tentar, na medida do possível, publicar posts sobre o caso da terra indígena Raposa/Serra do Sol para ajudar a esquentar o debate sobre o tema até o julgamento no STF que, segundo o presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, deve acontecer ainda neste semestre.

Hoje, a contribuição é da jornalista Amanda Vieira.

Para mídia, índio que é índio não pode ter celular nem beber cachaça, embora ninguém ouse questionar os hábitos de consumo dos produtores rurais.

Demarcação contínua? O que é isso? As pessoas não sabem diferenciar direito de uso de direito de posse. Demarcação descontínua é mera retórica dessa gente de esquerda, comunista, que come criancinha.

E que mania de atacar as ONGs de modo generalizado. Como se o surgimento de ongs não tivesse nada a ver com o nosso tradicional desprezo com essas comunidades. Fazer demarcação descontínua vai impedir que uma ONG atue na região???

A falta de escrúpulo da mídia não tem limite.

setembro 5, 2008 Posted by | Outros alvos | , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Raposa/Serra do Sol: “Espera-se que o STF não ‘rasgue’ nossa Constituição”

OGlobo

Gilmar Mendes, do STF: julgamento ainda neste semestre. Foto: OGlobo

Como você já deve saber, o relator da ação no STF, ministro Carlos Ayres Britto, deu voto favorável à demarcação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol. Ele pediu que seja derrubada a liminar que impedia a operação da Polícia Federal de retirada dos arrozeiros daquela região. A decisão foi comemorada pelos povos indígenas de Roraima.

No entanto, o STF adiou a decisão final em razão do pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes. O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, disse que o julgamento deverá acontecer “se possível ainda neste semestre”.

Como era de se esperar, o grupo ligado aos arrozeiros celebrou com fogos de artifício a suspensão do julgamento. A festa teve direito a gritos de “viva a pátria”, “viva o Brasil” e “é campeão”, segundo a Folha Online.

Nesse clima de espera, publico aqui o comentário Adelson Gonçalves, índio tariano, sobre o post anterior.

Creio que é uma resposta bem mais contundente do que os argumentos dos nacionalistas-de-oportunidade.

Caros Leitores,

sou îndio tariano, acadêmico de direito pelo Universidade do Estado do AM. Este marco histórico que a conterânea Advogada Joenia está fazendo serve de estímulo e esperança de que nós também podemos conseguir lugar ao sol (ou sombra?). Emocionamos ao ver Joenia fazendo sustentação oral na mais alta Corte do país. Sim, é Ela, Joenia, uma wapichana, com todo orgulho, uma índia.

Espera-se que STF não “rasgue” nossa Constituição com a sua decisão na qual inúmeros povos lutam por dias melhores, que não se repitam os 500 anos de massacre e genocídio.

Se você quiser entender melhor o caso, leia esta página produzida pelo ISA.

agosto 29, 2008 Posted by | Outros alvos, Uncategorized | , , , , , , , , , , , , , , , | 5 Comentários