Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Hasta pronto, Ciudad de México !

Daqui de cima, você já não me parece a cidade confusa, estridente e bipolar de alguns minutos atrás. A milhares de metros de altura, tuas ruas e avenidas parecem muito menos selvagens e labirítincas. Não ouço mais tuas vozes e teus tambores de máquinas, que tantas vezes me arrancaram o humor. Dilui-se no ar teu eterno cheiro de coentro e pimenta.

É fácil e previsível odiar tuas falhas urbanas, eu sei. Mas, não é simples deixar para trás a tua imprevisibilidade. Com você, nada pode ser ordinário.

julho 9, 2008 Posted by | México | , , , , | 3 Comentários

As contemporâneas de Frida Kahlo

Pergunte por nomes de artistas mexicanas da primeira metade do século XX e, quase invariavelmente, você deverá ouvir o nome da pintora Frida Kahlo.

No mesmo período, no entanto, outras mulheres ajudaram a revolucionar a arte do país.

Se você estiver no México entre os dias 15 de julho e 12 de outubro, poderá conferir os trabalhos dessas artistas na mostra Mujeres artistas en el México de la Modernidad: las contemporáneas de Frida. A exposição será realizada no Museo Mural Diego Rivera.

Se você não puder estar por aqui e gosta do tema, anote aí os nomes das artistas para um google básico:

Alice Rahon, Andrea Gómez, Angelina Beloff, Aurora Reyes, Carmen de Antúnez, Celia Calderón, Cordelia Urueta, Elizabeth Catlett, Elena Huerta, Fanny Rabel, Isabel Villaseñor, Kati Horna, Leonora Carrington, Lola Álvarez Bravo, Lola Cueto, María Izquierdo, Mariana Yampolsky, Nahui Olin, Olga Costa, Remedios Varo, Rosa Castillo, Rosa Rolanda, Rosario Cabrera, Rina Lazo, Sarah Jiménez Vernis, Tina Modotti.

A maioria das obras reflete uma profunda preocupação social e tem forte influência das idéias da Revolução Mexicana. Suas autoras têm em comum “não apenas a luta, mas também a participação ativa, a entrega, o despreendimento, o esquecimento de si mesmo, fundir-se com uma grande causa, a (causa) de um jovem país que se constrói depois da Revolução, a do renascimento mexicano, que atrai artistas do mundo inteiro ao México”, afirma a escritora Elena Poniatowska em texto do catálogo da exposição.

A foto acima é de Tina Modotti, fotógrafa italiana que viveu muitos anos no México. Fascinante não apenas por seu trabalho, mas por sua tumultuada biografia.

julho 7, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas, México | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Parada do Orgulho Gay no México

Cidade do México, sábado (29). Pelos cálculos dos organizadores da 30a edição mexicana da Parada do Orgulho Gay, mais de 200 mil pessoas participaram do evento. Segundo as estimativas da polícia, foram apenas 20 mil. Não importa. O fato é que, do Monumento do Anjo da Independência ao Zócalo, “la marcha” contou com a participação de representantes de todas as cores do espectro sexual e, claro, de seus respectivos simpatizantes.

A parada mexicana teve o apoio de 88 associações civis, 78 empresas e comissões de vários Estados mexicanos que pretendem que o ato tenha um caráter nacional. Como em toda a Parada Gay que se preze, o ritmo de foi de festa. Muita festa. Há muitas histórias para contar mas, desta vez, deixo que a companheira Nikon D60 fale por mim.

junho 30, 2008 Posted by | México | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Persépolis e a catarse na sala escura

Cidade do México. Sala 4 da Cineteca Nacional. Tarde de sábado.

Enquanto os créditos da animação Persépolis (França, EUA, 2007) subiam indicando o final da sessão de cinema, um espectador solitário batia palmas com entusiamo. Apenas alguns dos presentes repetiram o sinal de satisfação. Inconformado com o baixo número de adesões, o homem gritou para o lado silencioso da platéia: “E vocês? Não vão aplaudir uma obra com uma mensagem tão tocante?” Uma onda de risadas foi seguida por outra de aplausos. Desta vez, com minha acalorada participação.

Com as luzes já acesas, vi sair lentamente o homem responsável pela balbúrdia. O senhor, com seus 60 e poucos anos, deixava o cinema com uma bengala e a certeza do dever cumprido. Seu corpo não respondia mais à energia de suas idéias. Mas, francamente, isso não importava. No escuro, eles nos arrancou da condição de meros espectadores. O momento de risos e aplausos materializou nossa catarse. Sim, porque pelos rostos e comentários, parece que todos saimos comovidos pela força da autobiografia da iraniana Marjane Satrapi. Ela é a autora dos (badalados) quadrinhos que deram origem à animação e é diretora do filme juntamente com Vicent Paronnaud.

Persépolis  merece nosso aplauso. Durante 95 minutos, acompanhamos, absortos, a vida de Marjane e as reviravoltas políticas em seu país. Testemunhamos a história recente do Irã por meio dos olhos e emoções da irreverente narradora e a empatia é imediata. Ela é a garotinha que nos faz rir com seu imitações de Bruce Lee, a pré-adolescente que se descabela ouvindo Iron Maiden, a jovem que sai da depressão amorosa cantando uma desafinada versão de Eye of the Tiger.

Esse é o lado bem humorado da trama. Não vamos esquecer que Marjane é uma iraniana de 38 anos que cresceu no Irã e, nessa condição, não escapou da tragédia pessoal. Perdeu amigos e parentes na guerra, viu mortos entre escombros, testemunhou o radicalismo destroçar vidas e sofreu as dores do auto-exílio.

A fórmula narrativa não é, exatamente, nova. Basta lembrar da versão cinematográfica do best-seller O Caçador de Pipas, apenas para citar uma obra mais recente. Mas há algo a mais em Persépolis. O roteiro é bem construído e, na maior parte do tempo, não se rende aos atalhos fáceis. Uma animação inteligente e original dá vida  ao relato: os traços retrô de Marjane são a alma da história. Uma alma com trilha sonora bela e eficiente de Oliver Bernet.

Voilà! O Irã, de repente, não parecia mais um país tão distante. Os iranianos não eram “sangrentos” ou “selvagens” (mesmo que, segundo a narradora, alguns acreditem nisso). Lá estávamos nós, envolvidos com o drama da menina e de sua família, solidários com as vítimas da guerra e do radicalismo religioso. Ao nos depararmos com nossa aversão à intolerância, estávamos todos conectados: mexicanos, iranianos e uma brasileira. Algo que parece se repetir em outras platéias ao redor do mundo: Persépolis já arrebatou oito prêmios e indicações para o Globo de Ouro e para o Oscar de Melhor Filme de Animação.

Aquele senhor tinha razão ao incitar as palmas da platéia. Afinal, como não aplaudir alguém que nos faz sentir um pouco mais humanos?

PS.: Ok, há quem diga que Persépolis legitima idéias de intervenção dos sábios ocidentais (Bush e seus amigos investidores, for instance) nesses países “desgovernáveis.” Fico com a verdade de Marjane.

junho 23, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas, México | , , , , , | Deixe um comentário

O acelerado ritmo dos transgênicos

O mapa mostra o avanço dos organismos geneticamente modificados (também conhecidos como transgênicos) e foi publicado em fevereiro pela The Economist. Entre os 23 países que adotaram os OGM, o Brasil apresentava um crescimento de 30% da produção desse tipo de alimento entre 2006 e 2007. Um avanço significativo, mas inferior ao de países como Índia (63%) ou Filipinas (50%).

Esta semana, duas notícias confirmam que o ritmo de expansão dos OGMs está tão acelerado quanto a alta dos preços de alimentos.

No Brasil, o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) aprovou na última quarta-feira, dia 18, uma nova variedade de milho transgênico. Em fevereiro, haviam sido autorizadas outras duas variedades, uma da Bayer e outra da Monsanto. A variedade foi liberada mesmo sem atender aos questionamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo nota do Greenpeace.

Segundo a ONG, a Anvisa e o Ibama já entraram com recursos contra a liberação comercial pela CTNBio dos milhos da Bayer e da Monsanto porque as empresas não apresentaram estudos que comprovassem a segurança dos produtos para o meio ambiente e para a saúde humana.

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Agora, veja novamente o mapa. Nada na América Central, não é? Até ontem. A Monsanto anunciou a compra do grupo gualtemateco Sementes Cristiani Burkard (SCB) por um valor não revelado. Com a transação, a multinacional poderá expandir seu mercado de sementes de milho nessa região.

Novamente: não se trata apenas de questões pontuais, mas da triste confirmação de uma tendência.

A Monsanto é líder mundial na produção do herbicida glifosato, vendido sob a marca Roundup. Também é líder mundial na produção de sementes geneticamente modificadas. Em poucas palavras, é peça-chave no avanço dos OGMs em todo o mundo.

Em um comunicado, a empresa informa que espera impulsionar as capacidades das duas companhias nas áreas de pesquisa e desenvolvimento no domínio da manipulação genética e hibridação para “oferecer um millho mais novo e altamente inovador aos agricultores.”

O que, para alguns, pode ser a salvação da lavoura e da crise de alimentos, deveria ser encarada com mais seriedade e preocupação.

Não há ninguém que comprove, até o presente momento, que esses alimentos são 100% seguros para o consumo humano. Os impactos ambientais são imprevisíveis e irreversíveis.

Sem falar dos aspectos sociais e econômicos. Os defensores dos OGM, como a Monsanto, afirmam que o cultivo dessas sementes aumentam a produtividade e trazem benefícios para pequenos agricultores nos países em desenvolvimento.

Segundos críticos, até o momento, nenhum transgênico plantado comercialmente apresentou aumento de produtividade. Além disso, os pequenos agricultores ficam dependentes dos pacote semente-herbicida vendido pela Monsanto.

Segundo o Greenpeace: “em 2007, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) divulgou nota informando que os agricultores que plantaram soja transgênica tiveram mais custos do que os que optaram pela soja convencional. Isso porque o glifosato, agrotóxico usado na soja transgênica, teve um aumento de 50% em seu preço, levando os custos de produção de soja transgênica para as alturas”.

Desnecessário mencionar a importância social do milho em países como México e da América Central, principalmente para as famílias de baixa renda. No México, a campanha Sin Maíz no Hay Maíz (Sem milho não há país) está fazendo barulho e reunindo diversas organizações mexicanas e estrangeiras (como a Oxfam).

Se você, como eu, desconfia dos transgênicos e das boas intenções da Monsanto, boicote os produtos que contenham soja ou milho geneticamente modificados. Clique aqui e conheça a lista produtos produzida pelo Greenpeace.

junho 20, 2008 Posted by | México, Outra economia | , , , , , , , , , , , | 4 Comentários

Em Tulum, a memória da chuva

Congelar arco-irís é coisa de quem não tem mais barco para fazer…

junho 7, 2008 Posted by | México | , | 1 Comentário

Candeia com mezcal

Começou a temporada de chuva na Cidade do México. Acabo de chegar de uma “mezcalaría”, que fica a poucas quadras daqui. Fui expulsa pelo barulho de bandas mexicanas dos 90 emitido por uma juke box. Gosto de mezcal, de barulho e, principalmente, dos mexicanos. Mas, por uma dessas razões que só Nossa Senhora de Guadalupe explica, era Candeia que eu escutava em meio à fumaça de cigarros e “Faros”.

A música era “Preciso me encontrar”, imortalizada na voz de Cartola e popularizada mais recentemente por Marisa Monte. A letra é memorável, mas ainda acho que seu título deveria ser “Cansei da mesmice e fui!”.

Candeia. Com seis anos, ele já freqüentava as rodas de samba da zona norte do Rio. Seguiu o exemplo do pai, religioso do samba, e começou cedo a tocar guitarra e cavaquinho. Foi autor de míticos sambas-enredo da Portela, como o Vai como Pode. Era daqueles que não aceitavam as superfícies. Defendeu as raízes afro-brasileiras e tinha paixão pela capoeira e pelo candomblé. Em 1975, fundou a Escola de Samba Quilombo para valorizar o samba autêntico.

Sua história é daquelas cheias de reveses. Em 1961, decidiu ser policial e foi ferido por uma bala. Segundo a lenda, no dia anterior, uma prostituta havia lhe almadiçoado após ter sido esbofeteada pelo sambista. O acidente obrigou Candeia a usar cadeira de rodas pelo resto de seus dias de samba. Aos poucos, ele se tornou um homem melancólico e arredio. Mas não menos brigão.

O homem era duro de roer. Como mostra essa maravilhosa matéria publicada em 78 pelo Correio Braziliense, que mostra o bate-papo do mestre com Paulinho da Viola:

Candeia – A comissão de frente, por quê? Porque comissão de frente são aqueles coroas da antiga, e que até não podiam mais sambar, tavam naquela de prestar um serviço à escola, era um negócio de manter aquela dignidade do sambista e tal. Isso foi substituído por mulheres jovens, exuberantes, lindas. É isso. Então, esse processo, entra por quê? Pra agradar o chamado mercado de consumo, agradar o turismo. A imagem do nosso carnaval não está sendo vendida corretamente, porque o carnaval é uma festa que devia ser vendida como integração do povo, quer dizer, o patrão e o empregado desfilando na mesma escola…

PV – Você se engana. Ela está sendo vendida corretamente, porque ela está, você usou bem o termo, quer dizer, sendo vendida. Então, corretamente, por quê? Porque os caras querem isso mesmo. A gente, você já cansou de ver anúncio, assim, não tô falando que o turismo fez isso, entende, mas a gente já cansou até de anúncio. .. Eu já vi declaração de nego, aqui, de autoridades aí, dizer que o que nós temos que vender mesmo é mulher pelada, e que nós temos que vender mulher, futebol, samba, essas coisas todas. Que isso é que nós temos que vender. Turismo daqui, não pode vender outra coisa. Quer dizer, existem essas implicações, que precisam ser analisadas, entende? O que eu sinto é isso. O que tem de ser denunciado, rapaz, é essa coisa arbitrária, que vem de cima pra baixo, dentro de uma escola de samba. Quer dizer, um cara se arvorar e dizer: EU mudo o samba-enredo, EU decido o que é isso, EU faço isso, EU faço aquilo, ou então vira um outro e diz: “quem não estiver satisfeito vá para a arquibancada”. É isso que tem que ser denunciado, quer dizer, nenhuma escola de samba…

C – Brasil, ame-o ou deixe-o…?

PV – Não… é o cara chegar e dizer: olha aqui, quem não estiver satisfeito que vá pra arquibancada. Isso aí…

… longe do Brasil, o que tocava em mim esta noite era a voz de Cartola. Mas, com alguns shots e o som das ruas da Cidade do México, “Preciso me encontrar” ficou algo como … (clique aqui para escutar a versão da música por Dead Rocks)

junho 7, 2008 Posted by | Café Outras Trilhas, México | , , , | Deixe um comentário

Do socialismo barbudo ao capitalismo vale-tudo. Em apenas 1 hora.

21/05 – Mexicana de Aviación, MX 7579

Desde: La Habana (HAV)

Hora de salida: 03:45 PM

Hacia: Cancún (CUN)

Hora de llegada: 03:50 PM

Escalas: 0

Tiempo de vuelo: 1 hora, 5 minutos

Clase: Económica (S)

Asientos reservados: 1

Estado de la reserva: Reservada y confirmada

Código de confirmación: *EDZTUK

Havana e Cancún estão separadas por um pedaço de mar. Mas cinco décadas de história transformaram cidades tão próximas em dois mundos incrivelmente distintos. Pelo menos, até agora.

Você precisa apenas tomar um vôo de uma hora e cinco minutos para deixar a terra socialista dos barbudos rumo ao capitalismo dos mexicanos. Comecemos por Cuba. Ao chegar em Varadero, um outdoor revolucionário avisa: “O que se arrecada aqui vai para o povo cubano.” Sim, o Estado é dono de cada resort e dita o que deve ser feito com o dinheiro. Estamos na terra del Che.

Está certo. É fato que os cubanos enfrentam sérios problemas. Mas também é verdade que o dinheiro arrecadado é usado para os sistemas de educação e saúde que, acredite, funcionam tão bem quanto dizem.

Mas, passemos agora para a nossa paradisíaca Cancún. Na avenida hoteleira principal, a visão dos imponentes hotéis e de restaurantes de primeiro mundo é assombrosa. São quilômetros de construções suntuosas construídas para o prazer dos estrangeiros e de mexicanos com “lana” para gastar. Ao que tudo indica, depois da última devastação provocada por um furacão, há cerca de dois anos, o capital está apostando pesado no lugar. O desenvolvimento jura que está gerando empregos. Mas quem está ganhando mesmo são os investidores que, sinceramente, não parecem estar muito preocupados com os problemas ambientais provocados pelo turismo. E sejamos francos: a única preocupação social por ali parece ser a promoção de “fiestas” regadas a margueritas.

No fim dessa longa avenida, outra realidade mostra a cara. Pequenas casas e um comércio pequeno e precário acolhem as pessoas que trabalham para erguer ou servir clientes dos hotéis. São as periferias do paraíso.

Chegamos a Playa del Carmen que, um dia, foi reduto hippie mexicano. Novamente, estamos na rota dos dólares. Na pequena rua principal, chamada oportunamente de Quinta Avenida, uma loja da Starbucks convive com restaurantes que cobram até US$ 100 por um prato. Em uma esquina, um senhor que vende artesanato mostra para o filho de quatro anos o gringo que passa distraído e, às gargalhadas, ensina para o menino: “Fala pra ele ‘cheap price, cheap price'”

Tentamos nos afastar da praia pseudo-rústica rumo a Tulum, famosa pelas ruínas maias, pelas “cabañas” feitas de madeira e pelo estilo selvagem e hipongo. Hippies? Nem sinal deles. Logo, entendemos a razão. Cada noite em uma “cabaña” rústica vale US$ 45 dólares, um valor que deve chegar a US$ 60 na alta temporada.

No dia seguinte, partimos para Chichen Itzá. Na pequena van, recebemos mais um sinal de que Tulum, mesmo em área natural protegida, é um dos alvos preferenciais do “desenvolvimento”. “Temos uma casa de câmbio e viemos a Tulum para prospectar negócios. Isso aqui vai crescer muito. Não é fantástico?””, disse, entusiasmado, um mexicano que nos acampanhava na excursão.

Admito que sai de Cuba com muitas críticas em relação a algumas medidas do governo dos Castro, que considero anacrônicas e desnecessárias. Também é importante dizer que em Cuba há um universo de primeiro mundo feito apenas para os turistas endinheirados. Mas, no México, não pude deixar de imaginar em que a ilha dos barbudos poderia se transformar diante de uma eventual adoção de um capitalismo a la Mexicana. Apesar dos pesares, devo confessar: na exuberante riviera maia, senti falta de Havana.

maio 28, 2008 Posted by | Em Cuba, México, Outra economia | , , , , , , | Deixe um comentário

Na Cidade do México, você…(Parte 1)

– Almoça depois das 15 horas

– Toca a buzina quando o semáforo fica verde

– Descobre que há um, dois, três festivais de música acontecendo….na mesma hora

– Usa o triplo do tempo para fazer 1/3 do trajeto de volta para casa

– Devora engordurados tacos al Pastor no meio da rua…. ao som de Rick Ashley (por que eles gostam tanto dos anos 80?)

– Sempre encontra alguém que conhece o lugar que você estava buscando. E, quando você finalmente chega ao destino indicado, descobre que esse alguém não tinha a menor idéia do que estava dizendo…

– Descobre que há ciclistas pelados no meio da rua

– Encontra uma galeria de arte pos-pos-pos-moderna no bairro colonial de San Angel. E dá uma de penetra….

abril 23, 2008 Posted by | México | 2 Comentários

No México, líder de movimento social é libertado: significados e expectativas

Aqui no México, dezenas de pessoas estão presas por participar de manifestações políticas. Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional têm acompanhado os casos dos “presos políticos” ou de consciência sem obter respostas satisfatórias por parte das autoridades mexicanas.

Em Oaxaca, onde ocorreu um dos mais violentos e significativos conflitos, não foi diferente. Em 2006, a cidade foi palco de uma onda de protestos organizada pela APPO, agrupamento de organizações do movimento social formada para depor governador do Estado Ulises Ruíz. Durante mais de seis meses de tensão, cerca de 20 pessoas morreram e outras centenas foram feridas e detidas.

Por isso, a libertação de Flavio Sosa, um dos principais líderes da APPO, é relevante. Ele havia sido acusado de formação de quadrilha, danos a propriedades e incêndio a diversos edifícios. Depois de ficar preso durante mais de um ano, foi libertado por falta de provas.

Sua liberação acontece em um momento em que os ânimos estão mais controlados na cidade. O que não significa que os problemas políticos e sociais tenham sido solucionados. A principal demanda do movimento social era retirar o governador Ulises Ruiz do poder. Hoje, ele continua comandando o Estado mesmo depois de todas as críticas recebidas por ter organizado a violenta repressão contra manifestantes. Além disso, as diversas demandas sociais também não ecoaram no gabinete estatal.

Lembrando também que foi nesse mesmo Estado que, há pouco mais de uma semana, foram assassinadas duas comunicadoras populares da comunidade indígena Trique. Elas trabalhavam numa rádio comunitária conhecida por fazer denúncias.

A liberação de Sosa tem um significado simbólico importante. Somente por isso, já valeria ser motivo de celebração não apenas pelos opositores políticos de Ruiz, mas também por todos aqueles contrários às violação de direitos humanos.

abril 20, 2008 Posted by | México, Outros alvos | , , , , | Deixe um comentário