Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Costureiras digitais

Elas costuram, comandam uma cooperativa e, agora…blogam! Um grupo de costureiras de Caraúbas do Piauí acaba de lançar um blog para divulgar seu trabalho no mundo online.

A idéia surgiu depois que elas participaram de uma oficina de inclusão digital promovida pelo Movimento Solidário, iniciativa criada pelo Comitê de Responsabilidade Social da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae). A oficina foi essencial para que as costureiras, que nunca haviam visto antes um computador, pudessem utilizar as tecnologias a seu favor.

Sandra Flosi, presidente do comitê de Responsabilidade Social da Fenae, conta como as piauenses se transformaram em trilheiras digitais:

Qual é a proposta do blog?

Você poderia fazer essa pergunta para elas…Mas, genericamente, podemos dizer que é mostrar as conquistas de uma população que até poucos meses estava isolada em termos de comunicação e, mais especificamente, o trabalho e a evolução destas 22 costureiras. Quando chegamos na cidade, elas já realizavam este tipo de trabalho, mas isoladamente. Com o tempo, conseguimos mostrar que, unidas, elas teriam mais força e melhores condições de transformar aquilo que era uma pequena ajuda na geração de renda da família em um verdadeiro negócio.

Qual foi a importância do Movimento Solidário para a organização da cooperativa e inclusão digitais dessas profissionais?

Uma das ações do Movimento Solidário é justamente promover a mobilização social. Estamos lá despertando esse interesse. Então, começaram a surgir associações e cooperativas na cidade, com verdadeira representação social, como a Mãos que Fazem.

Que tipo de conhecimento foi oferecido nas oficinas?

Conhecimento básico de informática, como digitação e navegação na internet, tudo utilizando software livre. Também foram realizadas oficinas com foco na cidadania, com conteúdo voltado para economia solidária, associativismo e cooperativismo.

As questões de gênero foram levadas em consideração no desenho das oficinas?

Muito. Não fazemos oficinas específicas, todas são abertas a todos, independente de gênero, idade e escolaridade. Mas, com certeza, temos um trabalho muito forte no incentivo às mulheres para que sejam parte atuante não como coadjuvantes da mudança que Caraúbas do Piauí está vivendo, mas como protagonistas. E as mulheres do Mãos que Fazem levaram isso bem a sério. Além de terem sido um dos primeiros grupos a se associarem, estão a frente do conselho gestor do telecentro.

Por que realizar capacitações na área de tecnologia em Caraúbas do Piauí?

Caraúbas do Piauí é uma cidade com muita dificuldade de acesso a informações, por sua disposição geográfica. É uma cidade que ocupa um grande espaço territorial e muitas vezes os moradores de um bairro não ficam sabendo o que acontece em outro. Até mesmo uma rádio tem dificuldade de atingir a todos. Nosso objetivo é instalar telecentros em lugares estratégicos, para que as pessoas possam ter acesso a informações que hoje não tem. A cidade é carente de tudo, mas, principalmente de informação. E sabemos que com informação, o desenvolvimento fica facilitado.

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agosto 19, 2008 Posted by | Gênero e Tecnologia | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

Meu voto vai para Anna Patterson, do Cuil

Divulgação

Anna: ex-funcionária e atual concorrente do Google. Foto: Divulgação

Anna Patterson é programadora com uma bagagem acadêmica considerável: é doutora em Ciência da Computação pela Universidade de Illinois e foi pesquisadora na Universidade de Stanford. Em 2004, vendeu seu sistema de busca para o Google e acabou sendo contratada pela empresa.

Agora, Anna decidiu lançar um novo projeto solo, o buscador Cuil (pronuncia-se “cool”, gíria em inglês para “legal”), para competir com o ex-empregador e líder de mercado. A equipe do Cuil conta com Tom Costello, marido de Anna, e outros dois ex-engenheiros do Google, Russell Power e Louis Monier.

Com investimentos de US$ 33 milhões, o Cuil entrou em operação na última segunda-feira (28).

De acordo com Anna, o número de páginas indexadas pelo Cuil já é três vezes maior do que o conteúdo analisado pelo Google. Ela afirma que seu site pode superar o Google também em outras áreas, como a forma de exibir o conteúdo encontrado nas buscas. No lugar da famosa seqüência vertical de links do Google, a página de resultados do Cuil mostra alguns resumos dos sites encontrados pela busca.

Mas o buscador tem recebido várias críticas desde o seu lançamento em relação à lentidão nas respostas do servidor e à apresentação de resultados irrelevantes. Eu, particurlamente, não gostei da maneira como a informação é apresentada e nem mesmo dos resultados oferecidos pelo novo motor de busca.

Mas não posso negar minha satisfação em ver uma mulher comandando um projeto ambicioso como o Cuil. Basta dar uma olhada no perfil das empresas de tecnologia no LinkedIn para confirmar aquilo que todos nós já sabemos: o universo das TICs é dominado por homens. Entre as empresas que pesquisei, o Google tem a maior proporção de mulheres no quadro geral de funcionários (37%). Confira:

Google
Male 63%
Female 37%

Microsoft
Male 71%
Female 29%

Digg
Male 75%
Female 25%

Mozilla
Male 81%
Female 19%

Facebook
Male 70%
Female 30%

HP Software
Male 77%
Female 23%

agosto 1, 2008 Posted by | Gênero e Tecnologia | , , , , , , , , , | 1 Comentário

Google quer incentivar mulheres a atuarem na área de tecnologia

O Google Brasil está organizando um concurso para incentivar estudantes do sexo feminino a atuarem em áreas técnicas como engenharia e ciências da computação. As 10 vencedoras receberão laptops e serão convidadas a visitar o escritório de engenharia do Google em Belo Horizonte, segundo informou o site BR-Linux.

Segundo o site oficial do concurso Brazil Women in Technology, as vencedoras participarão de workshops, palestras e atividades sociais no escritório da empresa em BH. O concurso brasileiro, que tem apoio da Sociedade Brasileira da Computação, é inspirado no prêmio Anita Borg, que premia mulheres envolvidas com tecnologia em outras partes do mundo.

“No Google buscamos talentos e notamos que há um baixo índice de mulheres na área de tecnologia. [Nesse mercado] há falta de incentivo para que mulheres que iniciam faculdade ou cursos técnicos concluam seus estudos. É um espaço em que ainda existe uma grande predominância masculina”, afirmou Patricia Prieto, gerente de captação de talentos do Google Brasil.

É bom lembrar que a iniciativa não é tão eficaz no combate à desigualdade de gênero como outras medidas (oferta de bolsas de estudos, por exemplo). Mas a proposta é interessante não apenas porque oferece um estímulo para as estudantes na forma de prêmios e palestras. O mais importante é que o concurso estimule o debate e demonstre o comprometimento real de empresas líderes como o Google no tema. Se isso acontecer, será um bom caminho percorrido em direção ao equilíbrio de forças no universo das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

As inscrições devem ser feitas entre 21 de julho e 8 de setembro. Os requisitos para participar do concurso são os seguintes:

– A estudante interessada deve estar inscrita em um curso de graduação ou em um programa de pós-graduação em uma universidade brasileira em 2009;
– Os cursos e programas devem estar ligados às áreas de Ciências da Computação, Engenharia da Computação ou áreas técnicas relacionados,
– A candidata deve apresentar uma boa performance acadêmica.

Boa sorte!

PS.: Minha incursão pelo Google a procura de imagens de mulheres usando computador mostrou que as imagens que povoam a Net refletem não apenas da desigualdade de gênero, mas as desigualdades sociais no mundo da tecnologia.

Entre fotos de mulheres nuas ou de consumidoras desmioladas, tive que escolher a imagem acima: uma mulher jovem, branca, com cara de moça de classe média, em uma atitude descomprometida com a máquina (o importante é fazer pose ou usar o computador? Onde está o teclado?).

No final, o mundo das TICs reflete e reforça os desequilíbrios e as distorções sofridas pelas mulheres em outras áreas da esfera social.

julho 17, 2008 Posted by | Gênero e Tecnologia | , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário