Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Movimento Antropofágico Digital

Alguns leitores notaram que o Outras Trilhas anda um tanto enclausurado desde a minha chegada ao Brasil. Querem dizer com isso que tenho replicado ou analisado notícias já divulgadas nos mundos online e offline.

É um processo que faz parte do período de readaptação nesta “segunda temporada” do blog. Francamente, tenho preferido viajar pelas trilhas digitais enquanto monto o acampamento em Brasília-minha-Second-Life. Além do mais, com o advento dos blogs e microblogs, todos nós podemos rapidamente digerir, refrasear e divulgar – com uma nova e particular perspectiva – uma notícia.

Santa antropofagia digital!

agosto 15, 2008 Posted by | Brasilidades | , , , , , , | 3 Comentários

Quando o real é o virtual

Hoje recebi a notícia sobre a simulação da Lei Seca no Second Life. Um aplicativo desenvolvido pela fundação Mapfre, que entre outros negócios explora seguros para carros, criou um simulador no mundo 3D para comparar os efeitos de dirigir sóbrio ou sob efeito de álcool.

Segundo os desenvolvedores do sistema, a pista de testes no Second Life registra média diária de 6,2 mil visitantes e já recebeu meio milhão de avatares desde de sua estréia. Na pista, localizada na ilha Brasil Corporativo, os avatares podem dirigir carros ou bicicletas selecionando a opção sóbria ou sob efeito de álcool. Ao cometer infrações por estar bêbado, o avatar é informado das punições a que ele estaria sujeito fora do mundo virtual (na vida real, quem for flagrado dirigindo alcoolizado recebe multa e tem suspenso o direito de dirigir por 12 meses).

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A cinco dias e milhares de quilômetros da Cidade do México, o plano piloto parece um grande simulador de uma cidade. A vida aqui é ordenada por urbanistas e arquitetos. Os andarilhos existem, mas circulam em lugares isolados. Em Brasília, não podemos voar como no Second Life, mas vivemos em mundo racional e organizado pelo homem, cada vez mais distante da realidade de outras urbes.

Muitos dos moradores de meu simulador ganham seus “Lidens” como funcionários públicos e, ao contrário de outros mortais, planejam suas vidas com a perspectiva do eterno.

Nesses dias de Brasília, tenho caminhado pelas vias arborizadas e tranqüilas ao longo da L1 Norte. Aqui não há esquinas e a repetição das linhas arquitetônicas dos edifícios residenciais dão a impressão de que andamos sempre no mesmo lugar (ou será um bug na Matrix?).

Para viver aqui, tenho que reconstruir minha visão do que é uma cidade. Brasília, my Second Life.

julho 17, 2008 Posted by | Brasilidades, Os Analógicos-Digitais | , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

A Utopia da Modernidade: de Brasília à Tropicália!

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés, os caminhões
Aponta contra os chapadões, meu nariz

Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país

(Letra de Tropicália, de Caetano Veloso)

Você já tem um bom motivo para visitar Brasília entre os dias 15 de julho e 30 de agosto: a exposição A Utopia da Modernidade: de Brasília à Tropicália. O evento faz uma leitura da cidade ao relacionar sua concepção (ordenada e racional) aos elementos estéticos da Tropicália, movimento cultural brasileiro que combinou manifestações tradicionais da cultura nacional com inovações estéticas.

A Tropicália ou Tropicalismo se manifestou por meio da música (Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); das artes plásticas (Hélio Oiticica), do cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Glauber Rocha) e do teatro (José Celso Martinez Corrêa).

A proposta da exposição está baseada na tese homônima de Ana Queiroz, curadora e amiga de longa data. Formada em História da Arte pela Universidade Complutense de Madrid, Ana é coordenadora da área de Intercâmbios e Cooperação Ibero-Americana da Casa da Cultura da América Latina, ligada à Universidade de Brasília.

Ana é daquelas pessoas sempre inquietas, capazes de conhecer o objeto de estudo em seus detalhes mais imperceptíveis. E a exposição parece refletir a dinâmica interna de sua criadora. Ontem, a dois dias do evento, eu e Andrea VG, da Produtora VideoIdéia, fomos ao Museu Nacional filmar o making-off da exposição. Conversamos longamente com Ana e os responsáveis pela museografia. Mesmo ainda em construção, o resultado era supreendente.

Dentro e fora do museu, o visitante é convidado a participar dessa viagem aos anos 50 e 60, um dos períodos mais criativos das artes brasileiras. Em A`Utopia da Modernidade, prepare-se para interagir com a história por meio de releituras e originais de obras concebidas naqueles anos loucos.

“Ou não…”

Em breve, publicarei um post com o vídeo sobre a exposição produzido pela Videoidéia.

Siga essa trilha:
A Utopia da Modernidade: de Brasília à Tropicália
Museu Nacional do Conjunto Cultural da República (a nave espacial branca aterrissada na Esplanada dos Ministérios)
De 15 de julho a 30 de agosto de 2008
Brasília

julho 14, 2008 Posted by | Brasilidades, Uncategorized | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 3 Comentários

Shiny Happy People

“A felicidade é a coisa mais rara que conheço nas pessoas inteligentes”, costumava dizer Ernest Hemingway, um inconformado incorrigível.

Não gosto de insatisfação gratuita, da autocomiseração e, muito menos, da estratégia do terror, tão em moda em Washington. E, deixemos bem claro: considero o bom humor extremamente necessário.

Mas desconfio da cultura dos rostos felizes, da felicidade a qualquer preço e em qualquer situação. Simplesmente porque ela impede as pessoas de encontrar caminhos e soluções criativas para os problemas. E quem quer tristeza? Em casos extremos, como suportá-la? Uma rodada de rostos felizes, então.

Essa foi a impressão que tive ao ler o resultado da pesquisa feita pelo Institute for Social Research, da Universidade de Michingan. Segundo a pesquisa, as pessoas no mundo estão cada vez mais felizes.

A conclusão foi baseada em entrevistas realizadas em vários países entre 1981 e 2007. Segundo o ISR, o índice médio de felicidade subiu na maioria dos países que participaram do trabalho nesse período.

O índice de felicidade subiu em 40 dos 52 países que fizeram parte do levantamento. Caiu apenas em 12 deles como Áustria, Bélgica, Reino Unido e Alemanha.

No ano passado, a pesquisa foi feita em 97 países, que representam 90% da população mundial. A Dinamarca liderou o ranking dos mais felizes do mundo. O Brasil aparece entre os países menos felizes das Américas, atrás dos Estados Unidos (16o) e, quem diria, da Colômbia, o terceiro país mais feliz do mundo. Mas fica na frente da França (37o) e do Japão (43o).

Nos últimos 26 anos, o World Values Surveys perguntou para mais 350 mil pessoas o quanto elas eram felizes, adotando duas singelas perguntas: “levando tudo em consideração, você diria que você é muito feliz, mais ou menos feliz ou não é feliz”. A outra pergunta: “levando tudo em consideração, quão satisfeito você está com sua vida em geral ultimamente.”

Deixo suas respostas com Shiny Happy People, by REM e Kate Pierson.

E uma rodada de Mezcal para todo mundo…

julho 2, 2008 Posted by | Brasilidades | , , , , , , , , | 2 Comentários

Brasília: De volta para o futuro – Parte I

Brasília sempre gerou em mim, uma paulistana da Mooca, sentimentos contraditórios. Uma reação, aliás, compartilhada por grande parte de meus amigos que moram na capital. Em alguns momentos, ela é a cidade dos recomeços e dos infinitos espaços. Em outros, é o labirinto modernista que asfixia qualquer cidadão com sua escassez de esquinas, com sua abundância de repetições.

Por isso, quando algum estrangeiro me pergunta sobre como é viver em Brasília, costumo dar diferentes respostas, que dependem do meu estado de humor em relação à cidade. Quando estou de mal com a capital, eu me limito aos seus aspectos arquitetônicos. Falo da cidade forjada em cimento e vidro em menos de quatro anos. Descrevo o interior abafado dos edifícios. Concluo dizendo que o Plano Piloto parece ter a forma de avião, ainda que Lucio Costa, autor do famoso plano urbanístico, não tenha pensando nesse objeto voador na hora desenhá-la. Palavras dele: ‘‘Não tem nada de avião! Jamais foi um avião! Coisa ridícula! Seria inteiramente imbecil fazer uma cidade com forma de avião.”

Quando estou em paz com Brasília, ela é, simplesmente, meu set de “Back to the Future”. Como no filme de Robert Zemeckis, ela parece estar numa outra dimensão de tempo e espaço, criada para mudar a história do que ainda está por vir. Basta olhar para os edifícios, para suas “tesouras”: Brasília foi concebida com as mais futuristas idéias dos 50. Dizem até que foi objeto das profecias sobre o aparecimento de uma nova civilização feitas por um padre italiano no século XIX.

Brasília é o futuro do pretérito. Mas, sejamos justos: ela não se limita a um tempo verbal.

Brasília é Zemeckis com trilha sonora do Eagles. Peço perdão aos incríveis músicos locais (que são muitos). Mas, para mim, é inevitável lembrar de Hotel California quando penso na capital. Tenho a leve impressão de que a culpa é dos versos finais da música. Sabe, quando o viajante tenta deixar o edifício e o porteiro diz: “Você pode entrar quando quiser, mas não pode mais sair”?

Há muita especulação sobre a real identidade do Hotel Califórnia: já fizeram alusões à indústria fonográfica norte-americana, ao estilo vida yankee e até ao próprio inferno (que, aliás, resume bem as duas primeiras comparações). Para mim, Hotel Califórnia continua sendo a iluminada cidade que jamais teve a forma de avião.

To be continued…

P.S.: A foto deste post é de Javier Martinez, argentino, ONGueiro, rockeiro e, claro, morador de Brasília. Mais fotos de Javier estão na página que você pode acessar aí ao lado, na seção Tecnologia e Criação.

A versão de Hotel Califórnia é do Bob Marley, muito mais condizente com o ambiente descrito na música.

junho 27, 2008 Posted by | Brasilidades | , , , , , , , , , | 2 Comentários