Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Índios e a agenda da mídia tradicional

Decidi “subir” o comentário deixado pela antropóloga Lea Tomass sobre o post anterior para ajudar a esquentar o debate sobre o caso Raposa/Serra do Sol até o julgamento no STF. A disputa judicial deve ocorrer ainda no segundo semestre, segundo o presente dessa corte, ministro Gilmar Mendes.

De fato, na agenda da mídia tradicional, a questão indígena é um dos últimos itens da lista de prioridades, salvo raras exceções. E quando índio tem espaço na cobertura? A experiência mostra que isso acontece quando o assunto está relacionado à agenda internacional de desenvolvimento, direcionada por organizações internacionais, fundações e doadores internacionais de recursos, por exemplo.

Por isso, a mídia alternativa tem um papel cada vez mais fundamental em processos como o que ocorre neste momento em Roraima.

Com vocês, o comentário-post:

Raposa/Serra do Sol: demarcação contínua ou descontínua???

Alguém, na mídia, enfatizou a questão central a respeito da solicitação dos fazendeiros (e, por consequência, o Estado de Roraima) que querem a demarcação descontínua da terra indígena e comparou com a situação dos guarani do Mato Grosso do Sul, que tiveram suas áreas demarcadas de forma também descontínua?

É fato: minorias indígenas não dão “pauta”! São esses grupos em Mato Grosso do Sul, os guarani, que são alvo dos observadores de direitos humanos internacionais por apresentarem altos índices de desnutrição infantil e suicídio entre adolescentes. A agenda internacional e, por consequência talvez a mídia hegemônica, ocupa-se com infância e adolescência e por isso, a problemática do Mato Grosso do Sul andou bastante noticiada nos últimos tempos.

No caso de Mato Grosso do Sul, as condições precárias e mesmo a violência intergrupos lá encontrada relaciona-se diretamente com a demarcação em áreas descontínuas lembrando os países africanos que, à época da colonização, foram delimitados pelos europeus à revelia de históricas guerras intertribais (caso da Etiópia, por ex.): diante de desavenças, era comum a cisão e o estabelecimento de nova aldeia, em outra região, sem perda das relações diplomáticas entre os grupos. Sem espaço, as formas tradicionais de resolução de conflitos não puderam mais ser acionadas.

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setembro 3, 2008 - Posted by | Outros relatos, Uncategorized | , , , , , , , , , ,

2 Comentários »

  1. Pra mídia, índio que é índio não pode ter celular nem beber cachaça, embora ninguém ouse questionar os hábitos de consumo dos produtores de terra.

    Demarcação contínua? O que é isso? As pessoas não sabem diferenciar direito de uso de direito de posse. Demarcação descontínua é mera retórica dessa gente de esquerda, comunista, que come criancinha.

    E que mania de atacar as ONGs de modo generalizado. Como se o surgimento de ongs nao tivesse nada a ver com o nosso tradicional desprezo com essas comunidades. Fazer demarcação descontínua vai impedir que uma ONG atue na regiao???

    A falta de escrúpulo da mídia não tem limite.

    Comentário por Amanda | setembro 5, 2008 | Responder

  2. correcao. *onde se le produtores de terra, o correto é produtores rurais

    Comentário por Amanda | setembro 5, 2008 | Responder


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