Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

“Meet in Montauk”*

Lines in Potentis (clique no vídeo acima), que conheci por meio do blog Eu não sei, Ana, é uma espécie poema-instalação escrito pelo escritor e poeta nigeriano Ben Okri e animado pela agência inglesa yeastCulture. O poema foi patrocinado pela London Assembly/Greater London Authority building, City Hall.

A obra de Okri é classificada como realismo fantástico, ainda que ele recuse esse tipo de categorização. As experiências na guerra civil na Nigéria parecem ter influenciado de forma profunda o trabalho do escritor.

Okri escreve sobre o cotidiano e o metafísico e percorre com desenvoltura os espaços marcados pela linha tênue que separa o real do imaginário, o consciente individual do inconsciente coletivo.

Parte da matéria-prima de Okri é a mesma usada por Charlie Kaufman no roteiro de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (EUA, 2004). O filme fala memória e da ligação atávica que existe entre pessoas, um vínculo incapaz de ser quebrado por regras sociais ou pela tecnologia criada pelo homem.

Quase todo o enredo se desenrola na mente de Joel (Jim Carrey), um homem solitário e reservado que contrata uma empresa, a Lacuna Inc, para apagar as lembranças relacionadas à ex-namorada Clementine (Kate Winslet). Mas, durante o processo de “apagamento de memória”, Joel muda de opinião e tenta, dentro de seu cérebro, evitar que a empresa elimine Clementine de seu mundo interno.

Quando tudo parece perdido, quase no final do processo “cirúrgico”, a última visão de Clementine em sua cabeça lhe dá uma dica de como, mesmo com a memória apagada, Joel poderia reencontrá-la no mundo “real”, fora de sua cabeça. “Meet me in Montauk”, é a chave para o reencontro.

O vínculo entre os dois, portanto, estaria além da experiência no mundo externo, da realidade construída naquilo que costumamos de “mundo real.” Uma prova de que as verdades sobre tempo (passado e futuro) e espaço (apenas o que pode ser visto é real) são apenas e tão somente construções desse mundo interno que podem ser, indefinidamente, feitas e refeitas.

É uma temática que o cinema tem explorado (com certa dose de superficialidade) em produções como o interessante What the Bleep do We Know? (Quem somos nós?) e sua versão na linha auto-ajuda, The Secret.

Encerro este post com a tradução livre de um de trecho de Line in Potentis, que expressa de forma delicada essa idéia.

Diga a todos que a idéia é

funcionar juntos

como os bons músicos fariam

no indefinido futuro das orquestras

Deixe a energia do comércio fluir

Deixe a visão da arte curar

A tecnologia oferecerá as ferramentas

Trabalhadores do mundo

Re-façam o mundo

Orientem-se pela inspiração

e por leis justas

Deleite o futuro

* Post trazido das trilhas desérticas da Zona de Silêncio.

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setembro 1, 2008 - Posted by | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

1 Comentário »

  1. Espero que siempre me conserves en un lugar seguro de tu mente, pues siempre estoy a tu lado.

    Eduardo

    Comentário por Eduardo | setembro 2, 2008 | Responder


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