Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

O primeiro reality show político da blogosfera

E a polêmica encabeçada pela blogueira cubana Yoani Sanchéz continua na Internet. Se você não tem acompanhando a história, está perdendo uma oportunidade única de acompanhar, online, a construção de uma intrigante “trama digital” sobre a transição histórica em Cuba, o único país socialista das Américas e um dos poucos a peitar o governo de Washington.

O assunto é muito sério mas, com o desenrolar da história, tenho a impressão de estar diante de um reality show político. O primeiro reality show político da blogosfera.

Resumo rápido para aqueles que ainda não conhecem a trama. Yoani Sanchéz é uma filóloga (formada em linguística e literatura) cubana de 32 anos que, em abril do ano passado, decidiu criar o blog Geração Y, uma alusão aos cubanos nascidos nos anos 70 e 80 batizados, ao estilo soviético, com nomes iniciados pela letra Y. Decidiu arriscar e lançar um blog crítico ao governo cubano com sua verdadeira identidade, com direito a foto, nome completo e CV resumido. Desde então, critica as regras do regime por meio de relatos sobre seu cotidiano em Cuba. Em uma espécie de monólogo interno, fala de sua rotina, da última medida tomada pelo presidente Raúl Castro, de cenas observadas em alguma rua de Havana.

Em poucos meses, Yoani atraiu os olhares da mídia internacional e de internautas, a maioria cubanos residentes fora da ilha. Um único post já chegou a receber seis mil comentários.

Em maio deste ano, Yoani foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time. No mesmo mês, voltou a chamar a atenção da mídia internacional quando foi impedida de viajar para a Espanha para receber o prêmio Ortega y Gasset, organizado pelo jornal El País. Nesse mesmo mês, o Geração Y atingiu a marca de nove milhões de hits.

Yoani divide opiniões. Para os críticos de Fidel Castro, ela é, simplesmente, a heroína da vez. Os mais céticos desconfiam que ela seja uma agente dos interesses imperialistas, uma mercenária ou, simplesmente, uma menina desorientada que, de forma ingênua, ajuda o inimigo cubano. Diante das centenas de perguntas recebidas por ela, respondeu, via blog: “Não tenho pedigree.”

No meio dessa história, surgiu outro personagem, Yohandry Fontana, um médico cubano de 37 anos que criou um outro blog para rebater as acusações da blogueira, que ele chama de “a outra Y”.

Esta semana, a trama voltou a ganhar fôlego ao contar com uma participação especial: o próprio Fidel Castro. Ele aparece na história por meio do (longo) prefácio que escreveu para o recém-lançado livro “Fidel, Bolivia y algo más…Una visita histórica al corazón de América Latina.”

Quase no final do texto, com data de 4 de junho, ele cita sete frases publicadas por Yoani e diz que lamenta que jovens cubanos como ela sejam “enviados especiais para fazer trabalhos secretos e de imprensa neocolonial da antiga metrópole espanhola que os premia.” É uma clara alusão ao Ortega y Gasset, oferecido a Yoani pelo jornal espanhol El País e classificado por Fidel como “um dos tantos prêmios que oferece o imperialismo para mover as águas de seu moinho”.

Fidel afirma “um dos objetivos” do prefácio é “desmascarar os métodos pérfidos y cínicos do império”. Segundo ele, “o inimigo é sumamente vil. Cavalga sobre os instintos, ambições e vaidades daqueles em que nunca germinou uma ética elementar.”

Bem, Yoani preferiu que o marido, o jornalista Reinaldo Escobar, respondesse às acusações. A resposta está em um post publicado ontem no blog de Reinaldo, o Desde Aquí. Não consegui entender bem o motivo. Tudo certo. Como bloguespectadora, já deveria esperar algo surpreendente.

Em Havana, entrevistei Yoani para matérias que estou preparando sobre a blogueira cubana. Em breve, publicarei a entrevista na íntegra.

Enquanto isso, você pode acompanhar o reality show político por meio dos blogs de Yoani e Yohandry (links estão aí ao lado, na Seção Blogs).

To be continued…

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junho 19, 2008 - Posted by | Em Cuba, Os Analógicos-Digitais, Outras mídias | , , , , , , , ,

1 Comentário »

  1. Desde o príncipio essa história muito me comoveu, acho que pelo simples motivo de seguir, para mim, esse conceito de vida: a liberdade é meu maior patimônio.È minha tranquilidade e o que me mantém calma. Sinti-me assim quando penso que se algo muito me ferir, saio para onde quiser, a hora que quiser, do modo que quiser. A prisão, a qualquer coisa, me desespera, e no entanto, meu casamento com o memso homem completa agora quase 30 anos. Mas só a sensação de liberdade pode me manter ligada a alguém ou a alguma coisa. Na vida prática de um país, com cotidiano, escola, ruas, cafés, dá-se a isso o nome de DEMOCRACIA.È assim que quero viver….. E tenho pena daqueles que nção podem respira sem pedir permissão. Pra mim, o maior dos horrores.

    Comentário por andrea leal | julho 12, 2008 | Resposta


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