Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira
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Outras Trilhas é Creative Commons
O livre compartilhamento do conhecimento contribui de forma decisiva para a construção de uma sociedade mais criativa e justa. Por isso, este blog segue a filosofia da cultura livre e todo o seu conteúdo está sob a Licença Creative Atribuição 2.5 Brasil Commons. Clique nesse link para saber o que isso significa: http://creativecommons.org/licenses/by/2.5/br/
Um divertido programa na web voltado para quem cria, vive e, claro, curte a vida usando novas tecnologias. Essa poderia ser uma boa descrição para o Epic Fu, programa que mostra “o que há de mais bacana em arte, tecnologia e música do mundo online e offline.”
O Epic Fu é totalmente copyleft (licença Creative Commons) e foi criado em 2006 com o nome de Jet Set pelos espivitados Zadi Diaz and Steve Woolf para um público mais jovem. A idéia era promover uma interação do show com os internautas e webespectadores.
Com o passar do tempo, Steve e Zadi perceberam que a faixa etária do público das áreas de multimídia e arte/música digital era um pouco maior. Eles mudaram, então, a linha do show. Em 2007, rebatizaram o programa com o nome de Epic Fu. “Queríamos um nome que pudesse ser realmente nosso, em cada sentido da palavra. Isso ajudou a consolidar nossa identidade e a perspectiva que estávamos tentando oferecer para as notícias e artistas”, disseram em entrevista para Cameron Parkins do site Creative Commons
Como o show é feito com um baixíssimo orçamento, os idealizadores contam com a colaboração da comunidade web, que oferece dicas de pautas, textos e vídeos e, claro, sua crescente atenção.
Bem, então, o que afinal você encontra no Epic Fu? Assuntos que podem interessar as pessoas, artistas ou grupos que estão usando tecnologias e a web para redefinir a idéia de colaboração e distribuição de idéias globalmente. Eu e você, por exemplo.
Gosto do formato e das dicas do Epic Fu, apesar de considerar o estilo da apresentadora Zadi Diaz um pouco, digamos, histriônico para meu gosto. Mas o programa merece pontos pela inovação, criatividade e, claro, por adotar e promover a cultura livre. Trilheiros digitais de primeira!
PS.: Você pode ver os programas (todos em inglês) no site do Epic Fu ou no You Tube. Eu prefiro a segunda opção.
Nos anos 60, o psicólogo norte-americano Stanley Milgram criou uma teoria segundo a qual duas pessoas estão conectadas por outras seis.
Ele chegou a essa conclusão após realizar uma série de experimentos conhecida como Small World. Ele pedia a uma pessoa que enviasse uma carta a outra, como um amigo ou parente, para que o envelope chegasse a um destinatário desconhecido para o primeiro remetente. Segundo Milgram, cada carta era repassada, em média, seis vezes.
A teoria ganhou popularidade e, em 1993, inspirou um filme de Fred Schepisi (que contou com a excelente atuação de Will Smith). Com o crescimento das redes de relacionamento (como Orkut), também tem sido explorada com freqüência por especialistas.
No entanto, em 2006, a teoria dos seis graus de separação sofreu um duro golpe. A psicóloga Judith Kleinfeld, da Alaska Fairbanks University, verificou a pesquisa original de Milgram e concluiu: 95% das cartas não haviam chegado ao seu destinatário final. Fim da história?
Não por muito tempo. Ao que tudo indica, a Internet está ajudando a ressuscitar a teoria de Milgram. Pesquisadores da Microsoft estudaram os endereços de pessoas que enviaram 30 bilhões de mensagens instantâneas usando o programa MSN Messenger durante um único mês em 2006, segundo a BBC. E concluíram: quaisquer duas pessoas estão conectadas não por seis, mas por sete pessoas.
O banco de dados usado incluiu toda a rede de mensagens instantâneas da Microsoft, que representa cerca de metade de todo o tráfego de mensagens instantâneas do mundo. Para o estudo, duas pessoas foram consideradas conhecidas se tinham enviado ao menos uma mensagem instantânea uma à outra.
É um resultado interessante, mas a construção de redes sociais ainda deve gerar muita polêmica. É apenas questão de tempo para a divulgação do próximo estudo sobre o tema.
Imagine a combinação de jazz com música cigana. Agora, pense que essa música está sendo interpretada por um exímio guitarrista. Voilá! Você tem diante de si Django Reinhardt, criador de maravilhas sonoras capazes de envolver o mais torpe dos mortais.
Django Reinhardt foi o primeiro guitarrista europeu a exercer influência nos Estados Unidos, país precursor do jazz. Nem mesmo o acidente que provocou lesões sérias em sua mão esquerda, ocorrido quando ele tinha 18 anos, foi capaz de tirar de Django seu divino talento para a guitarra.
Filho de ciganos nômades, nasceu em um acampamento cigano na Bélgica em 1910. Até os dez anos viajava pela Bélgica, França, Itália e norte da África com a caravana. Seu pai era violinista e, ainda menino, Django já demonstrava grande habilidade para tocar instrumentos. A música cigana teria, mais tarde, influência decisiva no trabalho do músico, para a sorte de todos nós, fãs interplanetários do jazz.
Nos anos 30, junto com o francês Stephane Grappelli (violino), Django criou o estilo Manouche, conhecido também como “Gypsy Jazz”. E o que é Manouche? Um som contagiante, sensual, hipnótico ou, em poucas palavras, um deleite para qualquer alma a procura de boa música.
Se você não conhece Django Reinhardt, baixe, empreste ou roube um álbum, se for o caso. Coletânea de música livre que se preze precisa desesperadamente de Manouche e de seu criador.
Anna: ex-funcionária e atual concorrente do Google. Foto: Divulgação
Anna Patterson é programadora com uma bagagem acadêmica considerável: é doutora em Ciência da Computação pela Universidade de Illinois e foi pesquisadora na Universidade de Stanford. Em 2004, vendeu seu sistema de busca para o Google e acabou sendo contratada pela empresa.
Agora, Anna decidiu lançar um novo projeto solo, o buscador Cuil (pronuncia-se “cool”, gíria em inglês para “legal”), para competir com o ex-empregador e líder de mercado. A equipe do Cuil conta com Tom Costello, marido de Anna, e outros dois ex-engenheiros do Google, Russell Power e Louis Monier.
Com investimentos de US$ 33 milhões, o Cuil entrou em operação na última segunda-feira (28).
De acordo com Anna, o número de páginas indexadas pelo Cuil já é três vezes maior do que o conteúdo analisado pelo Google. Ela afirma que seu site pode superar o Google também em outras áreas, como a forma de exibir o conteúdo encontrado nas buscas. No lugar da famosa seqüência vertical de links do Google, a página de resultados do Cuil mostra alguns resumos dos sites encontrados pela busca.
Mas o buscador tem recebido várias críticas desde o seu lançamento em relação à lentidão nas respostas do servidor e à apresentação de resultados irrelevantes. Eu, particurlamente, não gostei da maneira como a informação é apresentada e nem mesmo dos resultados oferecidos pelo novo motor de busca.
Mas não posso negar minha satisfação em ver uma mulher comandando um projeto ambicioso como o Cuil. Basta dar uma olhada no perfil das empresas de tecnologia no LinkedIn para confirmar aquilo que todos nós já sabemos: o universo das TICs é dominado por homens. Entre as empresas que pesquisei, o Google tem a maior proporção de mulheres no quadro geral de funcionários (37%). Confira:
Exemplo de ativismo a favor da liberdade cultural e do conhecimento no Canadá. A banda The Craft Economy voltou a espalhar pelas ruas de Toronto pacotes plásticos com CDs. Mas, desta vez, além de músicas da banda, o CD inclui uma mensagem contra um projeto de lei sobre direitos autorais recentemente aprovado no Canadá, o C-61. O projeto de lei restringe a liberdade de reprodução de obras na linha copyleft.
Os músicos fixaram em árvores, postes e cabines telefônicas 150 pacotes com CDs contendo duas músicas (ambas com licenças Creative Commons) e uma mensagem crítica em relação à nova legislação. A banda já havia usado essa estratégia para divulgar seus shows.
“Nós acreditamos que devemos lutar contra a C-61 e que você deveria fazer o mesmo. Nós já dissemos isso antes, mas faça uma pesquisa sobre a lei. É uma droga [...] A lei C-61 vai mudar a maneira que você escuta este CD, usando Creative Commons Attribution-Noncommercial 2.5 license. Essa licença dá liberdade para compartilhar nossa música com amigos e inimigos, remixá-la ou usá-la de formas criativas, oferecendo a você a possibilidade de dar créditos do trabalho para nós e não ganhar dinheiro com ele. É justo para vocês e para nós. É desta maneira que a arte deveria funcionar”.
A mídia deve ter limites? Os leitores e os telespectadores devem ser protegidos por órgãos reguladores? O aquecimento global é uma balela?
Se você está interessado em algumas dessas questões, vale a pena conhecer o debate provocado pelo documentário The Great Global Warming Swindle (”A Grande Trapaça do Aquecimento Global”), produzido pela emissora de televisão Channel 4, do Reino Unido.
Para entender a história: a comissão reguladora de telecomunicações britânica, Ofcom, decidiu punir o Channel 4 pela forma como cientistas foram tratados no documentário, transmitido em março do ano passado. A emissora teria distorcido as idéias dos climatologistas ao questionar a teoria de que a atividade humana é a principal responsável pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global.
Depois de 15 meses de investigações, a Ofcom considerou procedentes as queixas do ex-cientista-chefe do governo, Sir David King, e do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPPC), da ONU, segundo o jornal The Guardian.
Com isso, ordenou que o Channel 4 divulgasse um resumo da decisão na emissora.
“Em particular, o programa fez alegações signicativas sem oferecer tempo ou uma oportunidade apropriada para resposta”, disse a Ofcom. “No caso de Sr. David King, os realizadores do programa também o criticaram por comentários que ele não fez.” A agência também afirmou que faltou imparcialidade ao Channel 4 “em relação a grandes controvérsias políticas e industriais e questões relacionadas às atuais políticas públicas”. Também declarou que “o programa deveria incluir vários pontos vistas. Os realizadores falharam nesse ponto.”
É importante lembrar que a Ofcom não analisou o tema da precisão das informações do documentário porque apenas “regula material enganoso que pode provocar danos ou ofender” pessoas e instituições. No final das contas, o Channel 4 não foi acusado de ter “enganado” o público e a emissora parece ter ficado aliviada com a decisão que, aliás, soa um pouco incoerente nesse sentido.
Em relacão à mídia, o caso levanta, mais uma vez, questionamentos sobre liberdade de expressão e veracidade das informações divulgadas pelos veículos tradicionais. O modelo britânico pode ser uma solução para casos polêmicos como o documentário da Channel 4? Adotar apenas a auto-regulação é a melhor saída?
No que se refere ao tema do programa, é sempre importante ouvir novos argumentos, principalmente, sobre temas onipresentes como o das mudanças climáticas. Mas, ao que tudo indica, The Great Global Warming Swindle é apenas uma tentativa de criar muito barulho e de desviar a atenção de um problema que precisa de mais soluções práticas e de menos ruídos histéricos.
O Miro acaba de lançar um canal especializado em cultura livre. A idéia do Free Culture TV é apresentar documentários, filmes e programas dedicados ao tema.
Se quiser conhecer o canal, baixe aqui o Miro, um software tocador de mídia de código aberto desenvolvido pela Participatory Culture Foundation, dos EUA. O software faz downloads de vídeos dos “canais” por meio do seu agregador de feeds RSS.
A organização Repórteres sem Fronteiras divulgou um texto em que pede aos deputados brasileiros que rejeitem o projeto de lei do Senador Azeredo. Segundo o texto, a liberdade de expressão na Internet poderá ser comprometida e, por esse motivo, os deputados deveriam detalhar os termos do projeto.
“Esse projeto de lei é potencialmente perigoso para a liberdade de expressão na Internet porque reforça a vigilância da rede mundial e prevê sanções entre um e três anos de prisão sem especificar para qual delito. Trata-se de uma proposta que, apesar das modificações que sofreu desde a sua apresentação há três anos, permanece bastante vaga. Pedimos aos deputados que examinem atentamente o texto de forma a precisar o seu conteúdo e dar garantias sobre a liberdade de expressão na internet”, informa a organização.
Assine você também a petição online contra o projeto. Ajude a promover a liberdade e o desenvolvimento do conhecimento na Internet brasileira.
Não faltam instrumentos para reduzir de forma drástica os gastos com a preparação e a publicação de materiais impressos. Com a profusão de programas de código aberto e ferramentas de publicação web 2.0, comunidades e ONGs já podem viabilizar seus projetos de mídia impressa. E, em alguns casos, sem custo algum.
Veja o exemplo da Five Minutes to Midnight (FMM). A organização sem fins lucrativos fundada em 2003 ajudou a lançar um livro de fotos produzido por jovens moradores de Kibera, uma favela localizada nas proximidades de Nairobi, Quênia. Kibera é considerada a maior favela da África, com uma população estimada em um milhão de pessoas.
A publicação foi totalmente preparada com programas de código aberto pelos participantes de workshops realizados pela FMM. A ONG também usou o CreateSpace, editora de livros on demand da Amazon.
O livro é atualmente vendido pelo site da Amazon e pela e-store da FMM. O dinheiro obtido com as vendas é investido na organização de outros workshops oferecidos pela ONG.
Se você quer mais detalhes sobre essa história, leia a seguir o relato de Wojciech Gryc, da FMM, publicado no iCommons.
“O que foi mais supreendente em nosso trabalho é que o custo inicial da preparação do livro foi zero. Isso permitiu que nós criássemos um instrumento de arrecadação de recursos para nossos workshops sem o risco de perder o que nós já tínhamos”.
“A idéia inicial era publicar o livro em julho de 2007, enquanto estávamos fazendo capacitações em tecnologia e jornalismo em Kibera, no Quênia. Localizada perto de Nairobi, Kibera é a maior favela da África e quase sempre tem uma cobertura negativa por parte da mídia. Não há serviços de mídia com foco na comunidade e muitos dos jovens estão desempregados. Fizemos, então, uma parceria com a
Shining Hope for the Community (SHOFCO), um pequeno grupo de jovens da comunidade, como forma de oferecer tecnologia e capacitações para que eles pudessem fazer um jornal e obter conhecimentos que pudessem ser úteis para sua vida profissional.
Nos workshops foram usados “computadores reciclados, programas de código aberto e tutoriais técnicos livres.”
“Durante os workshops, os participantes usaram câmeras digitais e foram orientados a explorar o ambiente da favela - ou seja, a visitar áreas da comunidade que eles considerassem importantes. Centenas de fotos foram retiradas, muitas com foco nas pessoas e nas comunidades que formam Kibera.”
“Como os participantes aprenderam a usar GIMP (editor de imagem), OpenOffice (editor de texto), and Scribus (editoração eletrônica) [programas de código aberto, podem ser baixados de forma gratuita pela Internet], a FMM usou os mesmos programas para editar a capa, trabalhar com as fotos e editar textos. Tudo foi finalizado com Scribus e exportado como um arquivo PDF, permitindo que nós tivéssemos um livro eletrônico de fotos”.
“Para a impressão, nós decidimos usar o CreateSpace, um serviço desenvolvido pela Amazon que apresenta livros, DVDs e outros produtos que podem ser impressos ou preparados sob encomenda”. Nesse caso, a Amazon cobra apenas um percentual da venda e não exige adiantamento de pagamentos.
“Criar um livro é muito simples e o conteúdo principal está em um arquivo PDF. Um outro arquivo contém a capa e a contracapa da obra. O mais interessante sobre o site CreateSpace é que, quando o livro é publicado, pode ser vendido em uma loja virtual própria ou no site da Amazon. O CreateSpace até mesmo cria o registro ISBN do livro”.