“Nós somos acusados de ladrões e invasores dentro de nossa própria terra. Isso precisa ter um fim”, disse. “Estão em jogo os 500 anos de colonização. Por que só nós temos que ter nossa terra retalhada?”
O argumento é a da advogada indígena Joênia Batista Carvalho, da etnia wapichana, que representa quatro comunidades que vivem na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Foi publicada pela Folha Online.
Joênia ocupou a tribuna do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) que começou hoje o julgamento da constitucionalidade do decreto assinado em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva demarcando a reserva Raposa/Serra do Sol.
A Folha, aliás, em sua busca pela imparcialidade, publicou na mesma nota uma tabela (ver abaixo) com o clássico “prós e contras.” Sim, é importante esclarecer o tema para os leitores. Mas a tabela está longe de refletir a complexidade do problema, principalmente em relação à questão indígena.
Para entender o caso, vale a pena ouvir e ler gente que entende a questão. Sugiro, por exemplo, a leitura da entrevista de Eduardo Viveiros de Castro. Dica da amiga e antropóloga Lea Tomass.
Informação direto da fonte? Acesse o website do Conselho Indígena de Roraima (CIR)
Não há dúvidas que o tema é delicado. Mas é sempre importante lembrar que, caso o resultado seja desfavorável à demarcação contínua da reserva, poderá abrir precedentes perigosos para a defesa dos direitos dos povos indígenas em todo o país.


