
O mapa mostra o avanço dos organismos geneticamente modificados (também conhecidos como transgênicos) e foi publicado em fevereiro pela The Economist. Entre os 23 países que adotaram os OGM, o Brasil apresentava um crescimento de 30% da produção desse tipo de alimento entre 2006 e 2007. Um avanço significativo, mas inferior ao de países como Índia (63%) ou Filipinas (50%).
Esta semana, duas notícias confirmam que o ritmo de expansão dos OGMs está tão acelerado quanto a alta dos preços de alimentos.
No Brasil, o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) aprovou na última quarta-feira, dia 18, uma nova variedade de milho transgênico. Em fevereiro, haviam sido autorizadas outras duas variedades, uma da Bayer e outra da Monsanto. A variedade foi liberada mesmo sem atender aos questionamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo nota do Greenpeace.
Segundo a ONG, a Anvisa e o Ibama já entraram com recursos contra a liberação comercial pela CTNBio dos milhos da Bayer e da Monsanto porque as empresas não apresentaram estudos que comprovassem a segurança dos produtos para o meio ambiente e para a saúde humana.
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Agora, veja novamente o mapa. Nada na América Central, não é? Até ontem. A Monsanto anunciou a compra do grupo gualtemateco Sementes Cristiani Burkard (SCB) por um valor não revelado. Com a transação, a multinacional poderá expandir seu mercado de sementes de milho nessa região.
Novamente: não se trata apenas de questões pontuais, mas da triste confirmação de uma tendência.
A Monsanto é líder mundial na produção do herbicida glifosato, vendido sob a marca Roundup. Também é líder mundial na produção de sementes geneticamente modificadas. Em poucas palavras, é peça-chave no avanço dos OGMs em todo o mundo.
Em um comunicado, a empresa informa que espera impulsionar as capacidades das duas companhias nas áreas de pesquisa e desenvolvimento no domínio da manipulação genética e hibridação para “oferecer um millho mais novo e altamente inovador aos agricultores.”
O que, para alguns, pode ser a salvação da lavoura e da crise de alimentos, deveria ser encarada com mais seriedade e preocupação.
Não há ninguém que comprove, até o presente momento, que esses alimentos são 100% seguros para o consumo humano. Os impactos ambientais são imprevisíveis e irreversíveis.
Sem falar dos aspectos sociais e econômicos. Os defensores dos OGM, como a Monsanto, afirmam que o cultivo dessas sementes aumentam a produtividade e trazem benefícios para pequenos agricultores nos países em desenvolvimento.
Segundos críticos, até o momento, nenhum transgênico plantado comercialmente apresentou aumento de produtividade. Além disso, os pequenos agricultores ficam dependentes dos pacote semente-herbicida vendido pela Monsanto.
Segundo o Greenpeace: “em 2007, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) divulgou nota informando que os agricultores que plantaram soja transgênica tiveram mais custos do que os que optaram pela soja convencional. Isso porque o glifosato, agrotóxico usado na soja transgênica, teve um aumento de 50% em seu preço, levando os custos de produção de soja transgênica para as alturas”.
Desnecessário mencionar a importância social do milho em países como México e da América Central, principalmente para as famílias de baixa renda. No México, a campanha Sin Maíz no Hay Maíz (Sem milho não há país) está fazendo barulho e reunindo diversas organizações mexicanas e estrangeiras (como a Oxfam).
Se você, como eu, desconfia dos transgênicos e das boas intenções da Monsanto, boicote os produtos que contenham soja ou milho geneticamente modificados. Clique aqui e conheça a lista produtos produzida pelo Greenpeace.