Sir Chaplin em 2700 d.C.
Escrito por outrastrilhas em Julho 6, 2008
Ontem, sexta-feira, (pois é, só ontem) foi dia de estréia de WALL-E nos cinemas mexicanos, com as longuíssimas filas já esperadas em lançamentos de blockbusters do gênero.
É realmente inevitável repetir as já repetidas comparações entre o robozinho da produção Disney/Pixar e Carlitos, o mítico personagem criado por Charles Spencer Chaplin Jr.
No ano de 2700, o vagabundo vivido por Chaplin no século XX reencarna no robô WALL-E, uma espécie de catador do futuro (seu nome é a sigla em inglês para Levantadores de Cargas Desnecessárias da Terra). Ele é uma figura solitária em um mundo tomado pelo lixo produzido pelos humanos, que abandonaram o planeta contaminado em um cruzeiro galáctico de luxo.
O personagem não apenas resgata as geniais técnicas de expressão do cinema mudo. Seus trejeitos lembram muito os do lendário andarilho. Carlitos mantinha sua elegância usando chapéu-coco, um desgastado fraque preto e grandes sapatos velhos, mais largos que seus pés. No futuro hipotético trazido pela animação, Wall-E preserva sua altivez (e eficiência) trocando suas próprias peças por similares encontrados em meio ao lixo.
Mas o que mais aproxima o catador de metal do vagabundo é a “matéria-prima” dos dois personagens. Como Carlitos, Wall-E é uma figura generosa, sensível e eternamente otimista. Consegue encontrar beleza e motivação em um mundo povoado pela adversidade. Sua imagem aparentemente frágil e desengonçada esconde coragem e muita integridade, qualidades cada vez mais raras em seres humanos.
Carlitos é uma das melhores criações dos tempos modernos. Wall-E é apenas mais uma prova de que ela ainda pode comover muita gente. Em qualquer tempo ou espaço.
E esse feito já valeu os longos e ruidosos minutos de espera na fila do cinema.
