Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

  • Escolha a trilha

  • Follow me

    Siga-me no Twitter http://twitter.com/e_caparelli
  • Arquivos

  • Diga NÃO ao projeto do senador Azeredo

    Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Assine a petição online http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html
  • Outras Trilhas é Creative Commons

    O livre compartilhamento do conhecimento contribui de forma decisiva para a construção de uma sociedade mais criativa e justa. Por isso, este blog segue a filosofia da cultura livre e todo o seu conteúdo está sob a Licença Creative Atribuição 2.5 Brasil Commons. Clique nesse link para saber o que isso significa: http://creativecommons.org/licenses/by/2.5/br/

Quase iguais

Escrito por outrastrilhas em Junho 12, 2008

Em Cuba, eu costumava perguntar a opinião das pessoas sobre as mudanças em curso no país. Na maioria das vezes, escutava queixas sobre dois temas: baixos salários e restrições para viajar ao exterior. Ao que tudo indica, o presidente Raúl Castro parece estar atento a essas reclamações. Na edição desta quarta-feira, o jornal Granma anunciou o fim do igualitarismo salarial, em vigor desde a revolução de 1959, e a adoção de um modelo de gestão em que os pagamentos são feitos com base no rendimento e produtividade. Até agosto, as empresas terão que se adequar às novas regras.

Isso quer dizer os trabalhadores serão remunerados a partir da produtividade e da qualidade do serviço prestado, sem teto salarial. Se trabalham mais, receberão mais e, desta forma, contribuem para o aumento da produtividade. Um ingrediente básico na receita da vizinhança capitalista.

Raúl, o “Castro pragmático”, assumiu a presidência de Cuba em fevereiro quando o imbatível Fidel deixou o cargo por problemas de saúde. Desde então, tomou várias medidas para liberar algumas das travas consideradas anacrônicas e desnecessárias pela própria população. Liberou a venda de celulares e computadores, autorizou a entrada de cubanos em hotéis e está sinalizando outras mudanças. Para os críticos, as medidas ainda são cosméticas. Para os cubanos, é o baile mais acelerado das últimas décadas.

O fim do igualitarismo salarial não é, de nenhuma forma, uma medida superficial. Mais do que uma mudança prática, tem implicações simbólicas importantes em um sistema em que o conceito de “igualdade” é algo fundamental. Nos últimos anos, Cuba tem testemunhado o agravamento das desigualdades sociais com o crescimento da indústria do turismo. Nos anos 90, o setor ajudou o país a superar a depressão econômica provocada pelo colapso da antiga URSS e agravada pelo irresponsável embargo econômico norte-americano. Mas criou um apartheid entre turistas e cubanos e entre cubanos que trabalham dentro e fora do turismo. Hoje, é evidente a emergência de uma nova classe social e da economia informal, a alternativa para os cubanos que precisam complementar sua renda familiar.

Essa é a realidade. Cuba ainda apresenta muitos indicadores positivos e, para mantê-los, é necessário ter os pés fincados no chão, ouvidos abertos para as ruas e olhos fechados para receitas liberais fáceis.

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>