Outras Trilhas

Qual é a sua bússola?

Este blog está em (re)construção

 

Cara leitora, Caro leitor

 

O OutrasTrihas está em momento de (re)construção.

 

Em breve voltaremos com nosso roteiro normal.

 

 

novembro 3, 2010 Publicado por | Uncategorized | 1 Comentário

Impressão sob encomenda: entrevista com David Caparelli

Não há dúvidas de que a maneira como produzimos e consumimos conteúdos  está mudando rapidamente. Uma das evidências dessa transformação no mercado editorial é a impressão sob encomenda, aposta de empresas como HP e de escritores que, agora, contam com essa tecnologia para chegar até seus leitores.

É o caso do escritor David Caparelli, que acaba de lançar A Origem dos Números usando a tecnologia print on demand. Nesta entrevista ao Outras Trilhas, o autor fala da sua experiência com esse modelo e de seu novo livro

1. A Origem dos Números é impresso sob demanda, um sistema relativamente novo no mundo, especialmente no Brasil. Como funciona esse processo? 

O mundo literário está em grande transformação, visto que a Internet deu uma nova vida aos editores, autores e logicamente aos leitores. O mais importante é que com a obrigação dos setores produtivos  em proteger nosso planeta foi lançado este  livro, cujo miolo foi  impresso num papel fabricado pela Dupont  com o nome  Tyvec (um polietileno de alta densidade, que é resistente ao rasgo, muito flexível e extremamente leve, que não provem de florestas, não agride o meio ambiente e é 100% reciclável).  A capa é de Vitopaper (tecnologia BOPP). 

 Com a  AlphaGrafics e a HP Indigo 7000 Digital Press,  cuja tecnologia  permite a impressão dos livros sob demanda, é possível editar desde um exemplar ou quantos forem necessários, com tiragem quase que instantânea. Isso dará aos autores a oportunidade de verem seus livros produzidos,  divulgados e vendidos através de empresas como a  agBook ou Clube dos Autores, numa forma democrática, quando todos participam e ganham. Isso a meu ver  gera uma grande oportunidade aos novos escritores.   

 2. Por que é importante conhecer a origem dos números?

Sempre gostei  do tema, e através de pesquisas com vários amigos e professores, percebi que a grande maioria não conhecia sua  origem  e sua representação. Os números sempre fizeram e fazem parte de nossa vida, porque eles são importantes para a própria sobrevivência, por mais que nos pareça estranho, nosso cotidiano depende das contas que somos obrigados a manter para evitar digamos, um fracasso financeiro, ou criar dívidas muitas vezes impagáveis.  

 Alguns temas do livro foram introduzidos porque as civilizações antigas nos legaram informações preciosas, de matemáticos . Poderíamos, por exemplo,  citar o grande pai da numerologia moderna Pitágoras.

 3. O livro também trata da Cabalah, que tem se tornado muito popular…

A Cabalah,  por exemplo nos revela uma parte esotérica do ser humano. A numerologia, com a qual muitos se orientam por acreditarem cegamente nos seus significados simbólicos, oferece informações importantes sobre a própria criação do universo. As culturas orientais usam o Tarot, I Ching, porém não vamos nos aprofundar, porque é necessário ler o conteúdo  para ter-se uma idéia dos significados reais dos números. Ainda tenho outras pesquisas que serão introduzidas  numa próxima edição, e que não puderam ser incluídas por falta de espaço nesta edição.

Serviço

A Origem dos Números
Número de páginas: 221
Edição: 1(2010)
Preço: R$ 47,77
www.davidcaparelli.com.br
www.agbook.com.br
 
 

maio 31, 2010 Publicado por | Café Outras Trilhas | , , , , , | Deixe um comentário

Quando tudo é mesmice… só resta Piaf.

maio 29, 2010 Publicado por | Café Outras Trilhas | , , , | Deixe um comentário

Mosanblog: Moçambique pelas lentes de uma paulistana

Mosanblog: relato da vida em Moçambique pelas lentes de brasileira. Foto: Sandra Flosi

Neste post, o Outras Trilhas pega uma carona para Maputo com o Mosanblog,  blog recém-criado pela amiga Sandra Flosi para relatar sua vida em Moçambique.

Santa blogagem! Não preciso sair do Cerrado para percorrer as ruas de Maputo. Pelo menos, por enquanto.

Boa trilha, boa leitura!

Maputo, 25 de maio, 2010 – Desde que chegamos na cidade, em abril, muitos dias começam com 13° C e vento gelado, vindo do mar, mas sem deixar no ar o cheiro de água salgada que não tem para onde ir e, em outras cidades de praia, estaciona nas nossas narinas o tempo todo. Talvez essa vantagem se dê pela ausência de morros, que permite ao vento correr livremente pela cidade.

Cidade plana, que também permite aos seus exploradores andar livremente, sem sentir cansaço.

Depois, o sol vai se fortalecendo e às 9h30 chega a nos fazer lembrar que estamos na África.

Às 13h, o sol pega pesado. Por isso, a vida aqui faz pausa no almoço: o comércio, as instituições públicas, os bancos, tudo fecha. Abertos, praticamente só os restaurantes, onde clientes almoçam sem pressa.

Às 15h30 bancos e instituições públicas fecham as portas de vez. É justo observar que abriram às 7h30.

Os escritórios seguem até às 17h, quando já começa a escurecer e surge o frescor da noite.

O comércio fica até às 18h ou 18h30. Alguns mais ousados chegam às 19h de portas abertas. Mas a esta altura já é noite densa, com a iluminação das ruas prejudicada pelas copas das árvores que durante o dia amenizaram o sol. Quem pode, já está em casa. E dorme cedo, porque o dia começa cedo.

maio 26, 2010 Publicado por | Outros relatos, Uncategorized | , , , , | 1 Comentário

Sagas familiares pelas lentes de Wes Anderson

Seu Jorge cantando no filme A vida marinha Steve Zissou

O cineasta estadunidense Wes Anderson tem uma filmografia enxuta, mas já conseguiu marcar presença com seu jeito particular de contar sagas familiares misturando drama e comédia, moderno e retrô, local e universal. Em A vida marinha de Steve Zissou ou Viagem Darjeeling, as aventuras dos personagens pela distante India ou pelas profundezas oceânicas servem apenas de pano de fundo para o mote central das histórias: o conflito familiar.

Como na vida real, os vínculos familiares mostrados pelas lentes de Wes Anderson são, de fato, a linha que conduz a narrativa. Não importa onde você esteja (o quão longe esteja): no final das contas, os laços familiares se impõem no roteiro.

Quero crer que, como nas películas de Anderson, os conflitos sempre podem ser solucionados, ainda que de alguma forma insólita ou inesperada. O universo tem lá seu jeito particular de dar um equilíbrio homeostático em tudo. Acreditar na mão invisível e sábia do universo pode ser pesado demais para os mais céticos. Mas, convenhamos, essa ideia traz uma baita reconforto nas horas mais difíceis.

Wes Anderson – Filmografia

maio 3, 2010 Publicado por | Café Outras Trilhas | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

A hora dos Games

O OutrasTrilhas começa 2010 reproduzindo o artigo sobre games de Ronaldo Lemos e Pedro Mizukami publicado recentemente na Folha de São Paulo. E, reforçando uma das mensagens dos autores,  será importante acompanhar este ano o destino do projeto de lei do senador
Valdir Raupp (PMDB-RO), que estabelece a proibição de jogos ofensivos
“aos costumes e à tradição dos povos”.
 
Games incomodam e viram arte
 
Manter os jogos eletrônicos na periferia das artes “sérias” acaba
gerando um tratamento irracional, que resvala em decisões judiciais
equivocadas

RONALDO LEMOS
COLUNISTA DA FOLHA
PEDRO MIZUKAMI
ESPECIAL PARA A FOLHA

Raramente os cadernos de cultura falam sobre games. Em geral, as
críticas são técnicas e não observam o valor narrativo dos jogos como
uma mídia privilegiada para contar histórias e levantar questões. E,
sobretudo, como um referencial cultural cada vez mais compartilhado.
Dados sobre hábitos culturais em algumas capitais, divulgados
recentemente pelo Ministério da Cultura, mostram que, em todas, a
prática de “jogar games” é mais comum do que “ir ao cinema” (em São
Paulo, por exemplo, os números são 13% e 8,7%, respectivamente).
É um bom momento para pensar sobre esse fenômeno.
A narrativa dos jogos vem atingindo momentos notáveis. Um exemplo é o
recente “Call of Duty: Modern Warfare 2 (MW 2)”. As análises mais
corriqueiras vão dizer que é um excelente jogo de tiro. Dificilmente
vão notar que ele trata da questão da moralidade da guerra, o mesmo
tema de Barack Obama em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel da
Paz.
Em um trecho do game -que pode ser evitado-, o personagem controlado
pelo jogador é um agente da CIA infiltrado em uma célula terrorista
ultranacionalista na Rússia. Forçado a participar do massacre de
centenas de civis em um aeroporto, ele protagoniza a atrocidade. O que
fazer, disparar? E em que outras missões disparar também se justifica?
Estão presentes, aqui, os embates morais clássicos, encarados a partir
da lógica do terrorismo e da guerra contemporânea. “Modern Warfare 2″
coloca o jogador em situações que lembram a ele sua condição de ser
moral.
A cena é perturbadora, como um filme de Samuel Fuller. A diferença é
que a imersão do jogo torna o seu impacto bastante diferente.
Qualitativamente diferente, e não “maior” ou “menor”. É justamente por
conta de preconcepções quanto aos efeitos da “interatividade” que os
jogos costumam ser tratados diferentemente dos filmes ou dos livros.
Isso tanto dificulta sua emancipação enquanto arte quanto reforça sua
conexão com o mercado. É um exemplo da mesma ansiedade regulatória que
acompanhou o nascimento da indústria cinematográfica norte-americana.
Ansiedade que resulta até em pânicos morais e censura. Que,
ironicamente, acabam ajudando a divulgar os jogos.
Para encarar os jogos com um olhar diferente, vale falar também de
diversidade sexual. No ano passado, o jogo “Mass Effect” causou
polêmica em razão de uma relação entre uma humana e uma personagem
alienígena.
Em “Fable 2″, o protagonista, um(a) garoto(a) órfão(ã), pode -se
quiser- estabelecer relações afetivas com ambos os sexos.
Ao saber que os games de hoje colocam os jogadores como protagonistas
de massacres terroristas ou de relações homossexuais, muitos vão se
sentir saudosos da época de “River Raid” e “Pac-Man”, em que as coisas
eram mais simples. É exatamente esse o sinal de que os jogos viram
arte. Incomodam do mesmo jeito que incomodava o cinema de Hollywood
dos anos 70.
Mantê-los na periferia (ou como rebeldes sem causa) das artes “sérias”
acaba gerando um tratamento irracional, que resvala em decisões
judiciais e projetos de lei que enxergam os games como se estivessem
fora da garantia constitucional de liberdade de expressão.
Neste ano, vamos acompanhar o destino do projeto de lei do senador
Valdir Raupp (PMDB-RO), que estabelece a proibição de jogos ofensivos
“aos costumes e à tradição dos povos”. Acompanharemos também
lançamentos que apostam no experimentalismo, como “Heavy Rain”.
Entre “Heavy Rain” e Valdir Raupp, há um universo complexo, ao qual um
pouco mais de atenção não vai fazer mal nenhum.

Fonte: Folha de São Paulo

janeiro 9, 2010 Publicado por | Os Analógicos-Digitais | , , | Deixe um comentário

Presentes UNICEF: consumo consciente neste Natal

Acabamos de lançar a campanha de vendas de cartões e presentes do UNICEF e estou animada com a adesão de veículos impressos, emissoras de rádio,  sites  e  blogs a essa iniciativa. Ao participar da campanha, eles estão ajudando a mobilizar as pesssoas em torno da causa da da infância e da adolescência (em breve volto a publicar um post sobre as adesões).

Você também pode participar divulgando a campanha por meio das peças ou do selo da campanha.

Este ano, adaptamos o conceito criativo feito pelo escritório em Genebra que tem como mote “Cartões e Presentes Cheios de Vida”.  A ideia é mostrar que a venda de cada produto ajuda a arrecadar recursos para ações e projetos que contribuem para garantir direitos de crianças e adolescentes brasileiros, principalmente aqueles mais vulneráveis às violações de direitos.

Este ano, a campanha celebra os 60 anos dos cartões de saudações do UNICEF e conta com a participação de Lázaro Ramos, ator e embaixador do UNICEF no Brasil. Lázaro, que fez a locução do spot de rádio da campanha, faz parte do time de embaixadores do UNICEF no Brasil, também formado por Renato Aragão, Daniela Mercury e a personagem de histórias em quadrinhos Mônica.

Além do spot de rádio, a campanha será divulgada na mídia impressa por meio de um anúncio criado pela agência Engenho Novo, parceira do UNICEF nessa ação.

Confira todas as peças da ação “Cartões e Presentes Cheio de Vida” aqui.

P.S.: Os produtos da nova coleção podem ser adquiridos nas lojas do UNICEF, em pontos de venda em shoppings ou na loja virtual do UNICEF http://www.lojaunicef.org.br. O site faz parte de uma parceria do UNICEF com o Submarino, uma das maiores empresas de comércio eletrônico do Brasil.

dezembro 6, 2009 Publicado por | Brasil | , , , , , , , | Deixe um comentário

Toda nudez será castigada: o caso Uniban

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Vídeo mostrando estudante sendo expulsa na Uniban é incluído na área Entretenimento dos Mais populares do YouTube

Muito é discutido sobre a violência contra a mulher , mas nem sempre as pessoas identificam as formas menos óbvias de violação. A mais sutil, e nem por isso menos dilacerante, é a violência psicológica, ato que causa danos à auto-estima ou à identidade de uma pessoa. É uma violência que se materializa em insultos, humilhação ou ridicularização, apenas para citar alguns exemplos que se enquadram no episódio da estudante de turismo da Uniban expulsa por seus colegas por usar um diminuto vestido.

 

Mais chocante que o fato em si é a perpetuação desse tipo da violência nos comentários feitos por homens e mulheres após a divulgação da notícia. Muitos corroboraram a opinião dos estudantes da Uniban e criticaram abertamente o comportamento da estudante hostilizada.

A seguir, apenas algumas amostras do que encontrei na rede:

Para a aluna de fisioterapia Renata Dangelo (da Uniban), 24, a estudante que saiu sob um coro de ofensas dos colegas poderia ter evitado a situação. “Não vi, mas muita gente disse que dava para ver até a calcinha dela quando estava subindo a escada. Aí não é questão de ser mulher ou de ser homem. Ela não precisava ter provocado as pessoas, vindo para a faculdade daquele jeito só para aparecer. Só de ver aquilo na internet eu fiquei com muita vergonha do que ela fez. Será que ela se esqueceu de que tem mãe?”, questionou. Sobre os colegas, foi mais econômica: “Eles não precisavam se expressar daquele jeito. Não se chama mulher nenhuma de prostituta”. (publicado no  UOL)

“Essa história tá pela metade, essa garota devia se achar a última coca cola do deserto, devia ter procurado briga com alguma garota de lá, não sei… Mas esse papinho de que foi hostilizada só por causa de um vestidinho curto não convence não… Eu também gosto de usar roupas curtas e todo mundo gosta de mim (pelo que eu saiba), não preciso ficar me auto afirmando toda hora”. (Comentário de “Monica” sobre post no blog do Nassif)

O que Renatas e Monicas não percebem é que, ao perpetuar esse tipo de preconceito, estão ameaçando seus próprios direitos e abrindo espaço para a violência contra elas mesmas. Talvez não usando uma roupa “indecente”, mas fazendo um escolha que, em uma perspectiva distorcida, pode ser considerada digna de humilhação generalizada. Afinal, quando a irracionalidade, o ódio e o preconceito prevalecem, qualquer decisão pode ser digna de rechaço da opinião pública. E é exatamente esse cenário sombrio que todos nós – homens e mulheres – precisamos evitar.

Não é possível analisar o episódio da Uniban isoladamente. É ingênuo imaginar que aquele comportamento acontece apenas nos intramuros daquela instituição de ensino. O caso, na verdade, fala muito mais de nós, como sociedade, e serve como alerta. Se conseguimos aprovar leis como a Maria da Penha, ainda temos um longo caminho para garantir que os direitos de todas e cada uma das mulheres seja garantido.

outubro 31, 2009 Publicado por | Outros alvos | , , , , , | 2 Comentários

Vida no deserto do Atacama

Povoado de Machaca

Povoado de Machaca

Flamingos, Salar de Atacama

Flamingos, Salar de Atacama

Onde está Wally? No Salar de Atacama

Onde está Wally? No Salar de Atacama

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Gelo no deserto (Foto com licença CC: pode ser reproduzida desde que sua autoria seja atribuída a Lucius Curado)

Gelo no deserto (Foto com licença CC: pode ser reproduzida desde que sua autoria seja atribuída a Lucius Curado)

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outubro 18, 2009 Publicado por | Uncategorized | , , , | 1 Comentário

Destino: Deserto do Atacama, Chile

Guarda do parque voltando para a base próxima à Laguna Miscanti, Atacama (Licença CC, pode ser reproduzida, desde que os créditos sejam dados para Estela Caparelli/OutrasTrilhas

Guarda do parque voltando para a base próxima à Laguna Miscanti, Atacama (Licença CC - foto pode ser reproduzida desde que a autoria seja atribuída a Estela Caparelli/OutrasTrilhas)

Você, com certeza, já deve ter usado a palavra “deserto” para se referir ao vazio de um lugar ou de uma situação. Afinal, convenhamos, o deserto é um local árido, sem vida, com pouco ou nada para ser visto, certo?

Lamento informar que, se você se você concorda com a afirmação acima, está irremediavelmente errado. O deserto do Atacama, no norte do Chile, é uma das provas de que a natureza não deixou de ser generosa com esses locais de baixa precipitação pluviométrica. São paisagens impressionantes, tons de azul e vermelho jamais catalogadas, lagoas de sal, vulcões calados, sem falar na fauna e flora únicas.

Note que estamos falando do mais alto e árido deserto do mundo. Segundo a Wikipedia, é o lugar na Terra que passou mais tempo sem presenciar chuvas: foram 400 anos (quatrocentos, isso mesmo) sem indícios de uma gota de água vinda do céu.

Mesmo para aqueles que ouviram falar dos seus atrativos naturais – como foi o meu caso – o Atacama é capaz de embasbacar o mais cínico dos mortais. Talvez sejam as toneladas de quartzo e de cobre debaixo da terra, talvez seja a herança indígena dos aymaras que impregna as sopradas de vento ou, quem sabe, a inacreditável profusão de corpos celestiais acima de nossas cabeças. Não importa: penetrar no Atacama é deixar um pouco de si mesmo para trás (incluindo ideias como a de que o deserto é “deserto”).

Essas tem sido razões suficientes para tornar San Pedro de Atacama, uma das portas de entrada para o deserto, é um dos mais populares destinos turísticos do Chile. Encravada a 2440 metros de altitude, San Pedro é um pequenino povoado de 3 mil habitantes dedicado ao turismo com ar rústico e muito acolhedor. Mesmo em baixa temporada, você vai desembolsar bem mais do que pousadas e hotéis têm a oferecer. Mas o investimento vale cada centavo de peso chileno gasto na jornada.

O povoado já foi ponto de parada obrigatória nos tempos pré-colombianos na rota entre as montanhas e a costa chilena. No século XX, os transportadores de gado paravam por ali antes de seguir jornada para o campos de nitrato do deserto. Durante os passeios por Atacama, ainda é possível encontrar algumas áreas agrícolas milenares, onde a população local ainda cultiva frutas e vegetais.

Visão da Laguna de Cejar (Foto com licença CC, pode ser reproduzida desde que seja creditada a Estela Caparelli/OutrasTrilhas

Visão da Laguna de Cejar (Foto com licença CC: pode ser reproduzida desde que sua autoria seja atribuída a Estela Caparelli/OutrasTrilhas)

Fotos e descrições dos atrativos de Atacama são injustos com sua grandeza. Por isso, depois dessa viagem de apenas quatro dias (a próxima será para a vida toda), posso oferecer os seguintes conselhos:

1. Leve uma grande mochila e se prepare para climas extremos: roupas leves para o calor infernal das manhãs e pesadas o suficiente para segurarem o frio que podem chegar a 25 oC negativos às 4 da manhã na área dos geiseres.

2. Não deixe de observar as estrelas no deserto. Dizem os especialistas que esse é um dos melhores lugares do mundo para contemplar os corpos celestes. Deve ser verdade: o maior radio telescópio do planeta está sendo construído no local a partir do projeto que leva o instigante nome de A.L.M.A. Alugue um carro e fuja e madrugada para o deserto ou faça um tour pelas estrelas com o astrônomo francês Alain Maury. Com muito humor, ele vai explicar como “ler” as estrelas e você ainda poderá observar os astros por meio de alguns telescópios espalhados no local onde ele montou com sua mulher o Servicios Astronomicos Maury y Compañia (055 851 935 ou http://www.spaceobs.com). O tour noturno de duas horas e meia vale 30 reais e dá direito a uma caneca de chocolate quente no final das observações (acredite: você vai precisar de pelo menos duas delas para se reaquecer). Nota: A foto abaixo foi tirada por Maury usando um de seus telescópios.

Lua, foto tirada a partir de telescópio de Alain Maury durante o "tour pelas estrelas"em Atacama

Lua, foto tirada a partir de telescópio de Alain Maury durante o "tour pelas estrelas"em Atacama

3. Pukara de Quitor. Alugue uma bicicleta no final de tarde e parta para as ruínas para Pukara de Quitor, a 15 minutos de pedaladas de San Pedro. Prepara-se para uma escalada de 10 minutos até o cume das ruínas e ganhe uma vista panorâmica de todo o vale, com direito a vulcões comportados.

4. Você pode ficar dias, meses, anos conhecendo e se envolvendo pelo Atacama (ou até pensar em ficar por lá, como foi o meu caso). Mas os passeios mais populares (e não menos magníficos) são:

Lagos Antiplanicos: Conheça os flamingos pela manhã na Laguna Chaxa, no Salar de Atacama, e depois dirija-se aos lagos Miñiques e Miscanti e preste atenção na cor dessas formações milenares de água e pedra. Você já tinha visto algo tão incrivelmente azul e salgado?

Laguna Miñiques (Foto com licença CC - pode ser reproduzida, desde que os créditos sejam dados para Estela Caparelli/OutrasTrilhas

Laguna Miñiques (Foto com licença CC - pode ser reproduzida desde que a autoria seja atribuída a Estela Caparelli/OutrasTrilhas)

Gêiseres do Tatio – É um dos hits do Atacama com toda razão: é incrível ver a água a uma tempetatura de 85o C saltando de pequenas fissuras do chão e formando espetaculares cortinas de fumaça em meio ao amanhecer no deserto. (Confesso que almadiçoei a mim mesma por ter aceitado acordar as 3h50 da manhã e enfrentar o frio de -12 oC. Mas o cenário de ficção rapidamente descongelou meu mau humor). Lembrando que os gêiseres de Tatio são formados quando rios gelados subterrâneos entram em contato com rochas quentes.

Geisers do Tatio (Foto com licença CC, pode ser reproduzida desde que os créditos sejam dados para Estela Caparelli/OutrasTrilhas

Geisers do Tatio (Foto com licença CC, pode ser reproduzida desde que a autoria seja atribuída a Estela Caparelli/OutrasTrilhas)

Valle de la Luna – Ver o multicolorido espetáculo de cores nas montanhas, vulcões sonolentos e rochas do Vale é paraíso para fotógrafos amadores e profissionais. Quem disse que Deus não usa PhotoShop?

Valle de la luna, Coyote (Foto com licença CC, pode ser reproduzida desde que o crédito seja dado para Estela Caparelli/OutrasTrilhas

Valle de la luna, Coyote (Foto com licença CC, pode ser reproduzida desde que o crédito seja atribuído a Estela Caparelli/OutrasTrilhas)

Laguna de Cejar – Flutue por uma das lagoas mais salgadas do mundo, confira porque é tão difícil (impossível?) chegar até o fundo dela e contemple, ali mesmo, o entardecer multicolorido com um Pisco Sour gelado. Dica: convença seu guia a fica até o início da noite e, no caminho de volta, peça para parar no deserto. A visão celestial e os sopros de vento valem CADA segundo da viagem ao Atacama.

E se você ainda acredita que deserto é sol, areia e rocha, confira o próximo post.

outubro 17, 2009 Publicado por | Chile | , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

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